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Foto: Divulgação

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

A Secretaria de Estado da Saúde autorizou a retomada de consultas e cirurgias eletivas de média e alta complexidade em Santa Catarina. Alguns dos procedimentos como os que necessitavam de anestesia geral estavam suspensos desde o mês de junho. Agora as unidades podem iniciar o chamado dos pacientes, que não apresentam nenhum sintoma de covid, de acordo com as autorizações da Central de Regulação. No Alto Vale, no entanto essa retomada será gradual nas três principais unidades hospitalares: em Rio do Sul, Ituporanga e Ibirama.

A portarias ainda estabelecem que os hospitais deverão manter inalterados o atendimento e internações dos pacientes suspeitos ou confirmados com a Covid-19, respeitando o número de leitos hospitalares destinados ao enfrentamento da pandemia.  Tais unidades também deverão garantir abastecimento de fármacos anestésicos intravenosos e bloqueadores neuromusculares em suficiência, prioritariamente, para atendimento integral ao paciente em terapia intensiva.

No Hospital Regional de Rio do Sul as cirurgias eletivas que não necessitam de internação já foram retomadas nesta terça-feira (1º) conforme explica o diretor técnico, o médico Marcelo Gambetta.  “Nossos cirurgiões que operam aqui no Hospital Regional já podem agendar e executar cirurgias eletivas que não necessitem de internação, que permitam que o paciente vá embora no mesmo dia,  porque nossa taxa de ocupação das enfermarias ainda está alta com pacientes que não são de covid, o que faz com que tenhamos uma baixa disponibilidade de leitos para as demais cirurgias”, esclareceu.

Durante toda a semana ele garante que o hospital vai se organizar e realocar recursos humanos para baixar a ocupação e só então começar a realizar as cirurgias eletivas que necessitem de internação. “Ficamos na dependência dessa reorganização estrutural. Precisamos ter os leitos e os funcionários já que um grande número atua nas unidades extras que foram abertas, principalmente na UTI para Covid e no Pronto-Socorro. Pretendemos iniciar o quanto antes esse trabalho porque temos ciência que um grande número de cirurgias deixou de ser realizado e o número de procedimentos represados é significativo”, disse.

A diretora do Hospital Doutor Waldomiro Colautti, Silvana Leite da Costa, diz que a unidade aguarda a Comunicação Circular da Secretaria de Estado da Saúde que tratará especificamente sobre as portarias. De qualquer forma os setores já se reuniram nesta terça-feira para reorganizar o fluxo de cirurgias que deve ser retomado parcialmente.“A princípio para garantirmos às medidas de segurança e conseguirmos organizar os agendamentos e principalmente contato com os pacientes. A retomada das  cirurgias eletivas ficou prevista para o dia 14, com todos os ajustes necessários e nesse sentido automaticamente um retorno em 50%”, afirma ela.

Ela explica que para as consultas ambulatoriais das especialidades e exames, a retomada será ainda mais gradativa. “Até porque precisamos primeiro atender aquelas cirurgias que foram suspensas, portanto, pensamos retomar em 30% essas consultas e exames, pois não temos estrutura física que permita um número maior de atendimentos, garantindo às medidas de segurança como por exemplo o distanciamento de 1,5 metro entre os pacientes”, completa.

O administrador do Hospital Bom Jesus, de Ituporanga, Fabiano Amorim, afirmou que a ala cirúrgica da unidade havia sido transformada em ala covid e durante todo esse período de suspensão, até cirurgias particulares e de convênio foram canceladas por falta de medicamentos e materiais em alguns momentos.  Com a nova portaria do Estado o HBJ vai se organizar e voltar aos poucos a oferecer esse serviço. “Retornando as consultas, chamando as pessoas que estavam na fila para cirurgias e tudo isso vai começar a voltar ao seu processo normal no HBJ assim como nos outros hospitais. A secretaria de saúde vai avisar os pacientes, processo normal que daremos seguimento”, finaliza.

O secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, destacou que a retomada das eletivas ocorrerá com o devido atendimento das regras sanitárias. Ele lembrou que estratégia adotada para o enfrentamento da pandemia foi a de estruturar a rede hospitalar catarinense. “Muitos desses leitos de UTI criados nos últimos cinco meses irão permanecer em funcionamento após a pandemia. Caminhamos em direção à uma nova estratégia, que é a de equacionar a questão das demandas de cirurgias eletivas”, disse.