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Cláudia Pletsch/DAV

Uma iguaria que vem se adaptando cada vez mais ao paladar dos brasileiros: os cogumelos comestíveis são comuns nos mais diversos pratos servidos em outros países e hoje vêm se tornando uma opção tanto para refeições veganas e vegetarianas quanto para os pratos mais comuns, isso porque esse alimento tem um sabor próprio e dá um toque especial nas receitas. Pensando nisso, uma moradora de Rio do Sul iniciou há seis anos o cultivo de cerca de oito espécies de cogumelos comestíveis, e o fungo já serve como principal fonte de renda.

A Jaquelinne Pires Bicca Döge é uma bióloga natural de Rondonópolis no Mato Grosso e se mudou com o esposo para Rio do Sul no ano de 2015. Ela conta que até então nunca tinha feito o cultivo do fungo, mas com a mudança de cidade e a necessidade de adaptação precisou encontrar uma forma de trabalho que se adequasse a nova vida, foi aí que surgiu a ideia de começar a cultivar os cogumelos comestíveis. Jaquelinne revela ainda que iniciou o plantio no próprio apartamento apenas como uma experiência, e foram meses de pesquisas e cursos para conseguir os primeiros resultados. Depois das primeiras colheitas, ela explica que começou a entregar algumas espécies para amigos e conhecidos, e a surpresa veio quando as pessoas começaram a procurá-la para comprar o alimento. “Foi uma produção bem arriscada, uma experiência para conhecer mesmo, não foi de forma profissional, mas depois de um tempo vi que caiu no gosto das pessoas e começaram a me procurar para comprar”, avalia.

A bióloga conta ainda que quando a produção começou a dar certo, ela e o esposo fizeram a mudança para um sítio no bairro Jardim América em Rio do Sul e é lá que hoje ela trabalha com estufas de 20 metros quadrados, que permitem que ela possa cultivar mais espécies e em maior quantidade. Mensalmente ela chega a colher cerca de 10 quilos do fungo.

Para não prejudicar o meio ambiente, toda a produção é feita sem descartes e sem a utilização de qualquer tipo de agrotóxico. O cultivo das espécies também é adequado às estações, então nos períodos mais quentes ela faz a produção de fungos adaptáveis ao calor e nos climas mais frios o cultivo das espécies mais adaptáveis ao frio. “Desde o início a nossa preocupação sempre foi com o meio ambiente. Hoje nossa produção é totalmente fechada em estufa. Nós fazemos a produção em polipropileno que tem a duração de mais ou menos uns 20 anos, então nós não temos descartes que prejudiquem o meio ambiente durante a produção e eu tento alinhar todos os três tipos que eu cultivo por estação com o clima, então tento fazer o mínimo possível de qualquer interferência, como ar condicionado por exemplo, e além disso não cultivo nada com agrotóxicos”, explica.

Hoje Jaquelinne já tem clientela fixa, diariamente ela faz entregas para consumidores de toda a cidade e atende no mercado público municipal, mas por conta da grande procura ela já sente a necessidade de expansão do negócio, a meta para esse ano com a contratação de uma funcionária para ajudar na produção é atender mercados e restaurantes. “Todo o processo de cultivar, embalar e fazer a venda era comigo, então no início desse ano a gente contratou uma funcionária justamente para que a gente consiga atender essa outra parte de consumidores”, comenta.

O incentivo diário da bióloga além do retorno financeiro é a fidelidade dos consumidores. “O que eu percebi muito é que quem provou a primeira vez se tornou um consumidor fixo e toda a semana eles pedem para entregar na casa cerca de 500 até 600 gramas. Isso me surpreendeu muito pois eu pensava que as vezes a pessoa ia comprar uma bandeja por mês e na verdade cerca de 80% dos clientes que eu tenho hoje são fixos, toda a semana eles fazem a encomenda para entrega ou estão ali no mercado público”, justifica.

Hoje a produção é a principal fonte de renda de Jaquelinne, mas ela explica que para se manter no cultivo é preciso muita dedicação e investimento. “De início veio uma renda boa, mas tudo que foi entrando foi investido, principalmente para fazer a estufa. São materiais muito específicos para essa produção, é um investimento de espécies de insumos, lâmpadas especiais e tempo”, finaliza.