Alto Vale, Cidade, Sem categoria
Foto: Helena Marquardt/DAV

Reportagem Heleana Marquardt/DAV

 

Contrariando a recomendação de isolamento social e proibição da aglomeração de pessoas, na tarde desta terça-feira (7), comerciantes e funcionários de lojas de todo o Alto Vale se reuniram em frente à prefeitura de Rio do Sul para protestar pedindo a reabertura do comércio que já está de portas fechadas há mais de 20 dias em virtude da pandemia de coronavírus. Eles chegaram a se ajoelhar e a rezar no local. Como a aglomeração vai contra ao que estabelece um decreto estadual a Polícia Militar interviu de forma pacífica e pediu a dispersão dos manifestantes.
Depois que eles saíram do Centro da cidade, outro protesto foi registrado na BR-470 num dos acessos a Rio do Sul. Manifestantes chegaram a interromper a passagem de veículos por alguns momentos.

Jaini Baldo era uma das manifestantes que estava no Centro e argumentou que o comércio deve poder abrir assim como outros setores, já que segundo ela, todos estão sujeitos ao vírus. “Ninguém está alheio ao vírus e a fome também mata. Sabemos que não são imunes as pessoas que trabalham nas farmácias, mercados e outros setores que estão autorizados. Queremos apenas trabalhar seguindo todas as normas e cuidados que formos orientados”, disse.

Outra manifestante era a comerciante Nilma Lúcia dos Santos que acredita que existe mais aglomeração de pessoas em outros locais do que ocorreria nas lojas se elas fossem reabertas. “Se é para todos é para todos. Porque as redes de supermercados estão cheias? Muito conveniente para quem tem mercado. Tem gente que pode ficar um ano parado, mas nós não podemos. Postos de gasolina estão trabalhando, o caminhoneiro está trabalhando para por a comida dentro dos mercados, os hospitais e servidores da saúde estão atuando até sem máscaras. Tem mais aglomeração nos mercados que nas lojas. Tem pessoas que não tem mais o que comer e dúvido que todas essas mortes sejam de coronavírus, para mim é politicagem”, opinou.

O secretário de Desenvolvimento Social de Rio do Sul, Paulo Fiamoncini, estava no meio da manifestação e também pediu a liberação do comércio. “Defendemos que as pessoas que tem uma certa idade fiquem em casa, mas a gente também preza pela qualidade de vida das pessoas e essa qualidade de vida também vem através do emprego. Os empresários estão sofrendo e a gente batalha por igualdade para abertura de comércio. Precisamos cuidar, mas que aos poucos o segmento do varejo pudesse estar aberto já que ele é bastante expressivo e representa 29% do desenvolvimento econômico da cidade”, ressaltou.

Polícia diz que manifesto vai contra a lei

O comandante do 13º Batalhão de Polícia Militar, Renato Abreu, disse que qualquer tipo de aglomeração de pessoas está proibido conforme prevê o decreto 525 que continua em vigor. “A Polícia Militar não está contra nem a favor de ninguém, estamos aqui para executar o nosso trabalho e fazer com que a lei seja cumprida. Manifestações desse tipo não podem acontecer nesse momento”, argumentou.

Ele destacou ainda que existem outras formas de manifestação caso os comerciantes desejassem. “As redes sociais estão aí para isso hoje e outra forma é circular a cidade e levar essa informação para que o máximo de pessoas vejam”, completou.