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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Imagine você saindo do seu país de origem e indo a outro totalmente desconhecido, sem domínio do idioma, sem lar, com frio e muitas outras dificuldades. Em Rio do Sul, aproximadamente 200 famílias de haitianos e venezuelanos passam ou já passaram por isso. Para dar suporte e apoio aos imigrantes, a comissão BrHaiti foi criada e está cadastrando as famílias que precisam de ajuda para recomeçar. A comunidade pode contribuir com doações de alimentos, roupas e móveis.

O cadastramento está sendo realizado por imigrantes que já entendem um pouco melhor o português, já que a comissão não possui funcionários. A expectativa é que todos sejam incluídos no cadastro nos próximos meses. “Ainda não temos data para terminar o cadastro. A Comissão BrHaiti não tem funcionários e por isso, cada um faz o que pode no tempo livre que possui. O cadastro está também traduzido em crioulo, mas eles precisam responder em português e, por isso, demora um pouco, mas acredito que até o final de julho ou agosto, a Comissão esteja finalizando os cadastros nos bairros: Barra do Trombudo, Barragem, Canoas, Vila Real e Budag”, conta Neide Maria Machado, que faz parte da comissão.

Ela destaca que o inverno na região do Alto Vale costuma ser rigoroso e embora as paisagens fiquem bonitas, algumas pessoas sofrem ainda mais com as temperaturas mais baixas, sem moradia, sem roupas quentes e até sem alimentos. Para amenizar essa situação, a comissão BrHaiti pede doações de todos os tipos. Neide explica que principalmente os venezuelanos que vieram de um local que não é tão frio precisam de agasalhos. “Eles estão vindo para trabalhar nas empresas da nossa cidade e trazem a família, e agora com o inverno eles precisam de agasalho. Aqueles que chegaram recentemente precisam de tudo, desde roupa, eletrodomésticos, cama, roupa de cama, colchão. Os outros já têm mais coisas, porque estão trabalhando há mais tempo e já conseguiram se restabelecer.”, comenta.

Neide ainda afirma que algumas entidades têm prestado apoio e feito doações, mas que ainda assim são necessários vários itens. “Eles precisam de tudo, qualquer coisa que as pessoas tenham para doar a gente tem onde colocar. Nós ganhamos a cessão de uso de uma escolinha lá no bairro Barragem, uma escolinha abandonada e estamos fazendo reparos para utilização. Então precisamos de ajuda para arrumar as portas, janelas, pintura, reformar telhado, parte elétrica, esgoto e piso. A prefeitura fez, à Caritas, um documento de cessão de uso. A comissão acolhe os migrantes, se organiza, faz seus encontros, distribuição de doações quando ganham algo e quem trabalha na manutenção da escolinha, são eles mesmos com apoio de parceiros”, revela.

“Além da cessão da escola, a prefeitura ofereceu no passado)cursos profissionalizantes. Outros amigos e parceiros sempre ajudam com alimentos e orientação para horta comunitária e organização da própria Comissão. Os imigrantes precisam também de ajuda para aluguel, móveis, roupas, etc. No entanto, o que eles mais nos pedem são cursos de língua portuguesa, cursos profissionalizantes para recomeçar profissionalmente”, acrescenta.

Saiba como ajudar

Neide ressalta  que o inverno que para muitos passa despercebido, porque estamos bem agasalhados, para uma boa parte das pessoas é um sofrimento, por isso, este é um tempo de solidariedade. “Temos muitas coisas estocadas nos nossos guarda-roupas que poderiam sair e servir para outras pessoas. Não precisamos de 10 casacos. Um poderia ser doado”, diz.

Para fazer doações, basta entrar em contato com a Irmã Carmela através do telefone (47) 9 9652-9050 ou com Neide através do número (47) 9 8851-2566.