Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

A última resolução da Comissão Intergestores Regionais de Saúde (CIR), cuja diretoria anunciou uma renúncia coletiva após desentendimentos com os prefeitos, será cumprida em parte pelos municípios até o dia 9 de agosto. Inicialmente a determinação do grupo era de que bares e restaurantes não poderiam atender o público à noite nem aos finais de semana, mas essa medida acabou sendo descartada já que de acordo com um novo decreto estadual os estabelecimentos são considerados como serviços essenciais e não terão restrição de horário.

Diante dos desentendimentos entre a equipe técnica e políticos, a CIR anunciou que não fará mais a discussão e indicação de medidas restritivas e que isso deverá ser feito de agora em diante pela assembleia de prefeitos. Eles teriam decidido entre eles formar um comitê que deverá contar com o apoio de técnicos da saúde, para dar continuidade às discussões.

Apesar da mudança prática em relação ao atendimento dos restaurantes, as demais decisões da resolução publicada no dia 31 de julho continuam valendo do dia 3 a 9 de agosto. Os secretários de Saúde decidiram impedir o ingresso de novos hóspedes no setor hoteleiro da região, a não ser em casos essenciais como pessoas que estão a trabalho, suspender cirurgias eletivas até o dia 30 de agosto e também recomendar que todas as prefeituras passem a disponibilizar serviços de forma remota sempre que isso for possível.  A limitação de atendimento em no máximo de 50% em todos os estabelecimentos comerciais também continua valendo, assim como o uso de máscaras.

Em áudios que circulam nas redes sociais após a reunião marcada por desentendimentos, os prefeitos falaram sobre a possibilidade de um novo lockdown. O prefeito Nelson Virtuoso afirmou que é terminantemente contra uma decisão da CIR de fechar a indústria e restringir o comércio. “Não podemos mais uma vez penalizar esses dois setores que são muito importantes. O desemprego já está na nossa porta e como é vamos fazer se fechar mais 14 dias?Qual é a explicação que vamos dar para o nosso pessoal?”questiona.

Já o prefeito de Rio do Sul, José Thomé, diz no áudio que decisões como essa precisam ser debatidas com calma. “Estamos numa voz única. Não queremos parar a indústria, o comércio, os serviços. Não podemos parar a agricultura de forma alguma. Não podemos mexer na atividade econômica. O que precisamos pontuar são as ações de fiscalização efetivas para o cumprimento das regras que estão postas nos decretos”, falou.

Ele disse ainda que Rio do Sul iria contestar o mapa do COES que aponta a região como risco gravíssimo. “Não concordo com isso, não estamos com 100% da capacidade dos leitos de UTI ocupados e não podemos penalizar quem trabalha”, comentou.

Comissão faz renúncia coletiva

A Comissão era a responsável por definir as medidas regionais de enfrentamento ao coronavírus no Alto Vale e anunciou nesta manhã uma carta de renúncia coletiva da diretoria. As profissionais, que atuam de forma técnica, alegam que as divergências com os prefeitos estavam aumentando em virtude do embate entre saúde, economia e política que cada decisão vinha sendo questionada de forma infundada. Elas alegaram ainda que as desavenças se tornaram desrespeitosas.

No documento assinado pela coordenadora da CIR Claudia Ferreira, pela vice-coordenadora Simone Zavaglia Souza e pela secretária geral Elisângela Scheidt Roncalio elas afirmam que sempre atuaram com seriedade, ética, técnica e dedicação para realizar medidas que beneficiassem toda a população e minimizassem os impactos da pandemia na região.