Cidade
Foto: Carolina Ignaczuk/DAV

Sem banheiro, sem refeitório e com carga horária ampliada. Essas são as reclamações dos trabalhadores responsáveis pelos serviços de sinalização de trânsito de Rio do Sul. Os funcionários, que pintam as faixas e colocam as placas na cidade, também não têm o transporte adequado, já que são levados até o local da obra no mesmo caminhão que carrega as ferramentas e tintas utilizadas nas pinturas do asfalto.

Estes trabalhadores estão lotados no gabinete do prefeito, mas batem ponto no Departamento de Obras. Os funcionários alegam que não possuem refeitório no alojamento, e o banheiro fica distante. De acordo com a Norma Regulamentadora 24 (NR24), que trata sobre as condições dos sanitários nos locais de trabalho, o banheiro deve fazer parte do alojamento ou estar localizado a uma distância máxima de 50 metros. “Onde nós temos a nossa sala, não temos banheiro, não temos refeitório, o refeitório é dentro da nossa sala mesmo. Se nós tivermos uma necessidade, nós temos que ir na barranca do rio. O banheiro das Obras fica longe, dá 200 metros”, conta um dos trabalhadores, que não quis se identificar.

Entre as principais reinvindicações dos trabalhadores, está a jornada de trabalho igual a dos servidores do Departamento de Obras da Prefeitura. Atualmente, eles trabalham oito horas por dia, enquanto o setor de Obras trabalha apenas seis. São 10 horas a mais por semana. “De março a junho deste ano havia a mesma jornada, mas a Prefeitura alterou para oito horas alegando motina de demanda”, conta a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rio do Sul e Região (Sinpurs), Marilene Back Espinola.

Um dos pintores conta que sempre fez o mesmo horário que o setor de Obras, e questiona porque a jornada de trabalho não é a mesma para todos. Segundo ele, é muito serviço e pouca mão de obra. “Nós temos que dar conta de tudo o que nós temos que pintar. Eles dizem que é porque precisa, mas porque só nós? E a Secretaria de Obras? Porque a Secretaria de Obras só faz o turno único, que são seis horas?”, indaga o funcionário.

Outro fator importante é o transporte dos trabalhadores até o local da obra. Eles são levados em um caminhão repleto de tintas tóxicas e outras ferramentas. Na parte de trás do veículo, até os bancos estão instalados para fazer o transporte dos funcionários. “Não pode mais andar com as portas abertas, e quem vai aguentar o cheiro da tinta dentro daquele caminhão fechado?”, conta o pintor.

O que diz a Prefeitura

O assessor especial de gabinete da Prefeitura de Rio do Sul, Bolivar Bittelbrunn, relata que as reclamações não procedem. Segundo ele, os trabalhadores utilizam um complexo que abriga os setores de Agricultura, Trânsito e Obras, e existe um banheiro que fica a 44 metros de distância do local. “O serviço deles não é aqui [no complexo]. Aqui é onde tem o depósito e a sala para eles deixarem as coisas deles. O serviço deles, 90% eles não fazem lá dentro”, ressalta.

Bolivar também explica que não há um refeitório no alojamento, porque os funcionários recebem vale-alimentação. Para o assessor de gabinete, como eles trabalhavam seis horas, não havia necessidade de um local para as refeições. “Como eles faziam seis horas, nem refeitório precisa. Mesmo eles fazendo oito, eles têm o intervalo de uma hora e meia de almoço, a gente não precisa ter o refeitório lá pra essas quatro pessoas”, afirma. De acordo com Bolivar, há um micro-ondas no local, mas ele foi trazido pelos próprios trabalhadores.

Em relação às condições de transporte, o assessor diz que os pintores recebem insalubridade justamente por trabalharem com produtos tóxicos. Ele também afirma que a orientação é que o motorista do caminhão faça duas viagens, já que a equipe é composta por quatro pessoas e só há lugar para três. Sobre o banco que existe na parte de trás do veículo, Bolivar diz não saber qual é a sua finalidade. “Não sei se eles usam o banquinho pra descansar ou para fazer alguma coisa, mas eles têm um motorista que só dirige. Então o motorista foi aconselhado para levar a equipe, voltar, e levar a outra equipe”, fala.

Carga horária

Bolivar explica que todos os funcionários, que antes trabalhavam seis horas por dia, estão lotados nos cargos para trabalhar oito horas. Como houve a enchente, os servidores precisaram voltar à sua carga horária original. “É mais indignação por a gente estar cobrando o que é legal, que eles estão lá para fazer oito horas assim como qualquer um de nós aqui.”. Ele ainda minimizou as reclamações dos servidores dizendo: “a revolta é a jornada. O restante eles foram colocando para chamar atenção”.

O prefeito José Thomé diz que o setor de Obras é subordinado à Secretaria de Infraestrutura, e o setor de trânsito responde ao gabinete. Thomé também afirmou que o Departamento de Obras deve começar fazer a mesma carga horária que o setor de Trânsito nas próximas semanas. Segundo ele, a decisão foi tomada na quinta-feira (29). “Nós não vamos baixar lá do trânsito, nós vamos adequar a carga horária do setor de Obras. Não temos data ainda, preciso alinhar isso com a equipe de trabalho, existe toda uma organização do próprio trabalhador, mas isso deve acontecer nos próximos 15 dias”, conclui o chefe do Executivo.

Carolina Ignaczuk