Alto Vale
Foto: Arquivo/DAV

Reportagem:Cláudia Pletch/DAV

Com as complicações geradas pela pandemia diversos setores têm sido impactados financeiramente de forma significativa, mas as facções têxtis do Alto Vale vêm sofrendo ainda mais nesse período. Uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Rio do Sul e Região (Sititev) apiontou que um dos maiores problemas enfrentados é a falta de pagamento pelos serviços executados.
Na pesquisa boa parte das facções alegam que já levaram o chamado “calote”. Os empresários contam que muitas vezes o prazo de entrega solicitado pelo comprador é absurdo, e depois da peça pronta e entregue o pagamento não é feito, deixando a empresa sem receber e compromentendo até o salário dos funcionários.

Segundo a presidente do Sititev, Zeli da Silva, os relatos são diversos, mas todos envolvem questões de não pagamento ou baixo preço pago pelos compradores. “A resposta da pesquisa não foi uma surpresa para nós, existe hoje uma defasagem muito grande no valor da peça, os valores são muito baixos e por isso há esse grande número de facções que fecham e as pessoas acham que é a crise, mas é a falta de pagamento e até os baixos preços que fazem elas fechar. Muitos compradores prometem levar e não levam, e além disso quando levam as pessoas trabalham as vezes até 16 horas por dia para entregar o pedido”, explica.

Ela ainda relata que a região conta atualmente com cerca de 700 empresas de grande, médio e pequeno porte, e que dessas muitas delas estão enfrentando dificuldades tão severas a ponto de fechar as portas “A todo momento nós temos facções fechando por causa disso, não recebem, não conseguem pagar e nós nos vimos obrigados a entrar com ação trabalhista, assim elas acabam fechando”, relata.

Uma empresária de Rio do Sul, que é dona de uma facção e não quis se identificar, conta que no último mês se deslocou até outra cidade para buscar algumas peças, e que não recebeu o pagamento no valor se R$ 1.800,00 depois de ter entregue o serviço. “Antes de eu buscar o serviço ele contou uma longa história, dizendo que outra pessoa tinha pego peças para fazer e que não tinha entregue, eu me solidarizei e me propus a fazer, retornei dentro do prazo combinado e entreguei as peças. Agora já fazem 30 dias que ele não me pagou, o prazo era dois dias. Não é a primeira vez que isso acontece, a gente acaba trabalhando e não recebe, e se eu não recebo como vou pagar meus funcionários?”, questiona.

A representante do “Tudo Sobre Facção” um grupo de funcionários têxteis da região que conta com 1.200 participantes, Luciana Pereira, explica que as histórias que acompanha todos os dias são de pessoas que trabalham arduamente e que não tem o reconhecimento e salário merecido. “Estamos vivendo novamente a escravidão pois é isso que está parecendo. A última situação que presenciei foi de um fornecedor que ficou duas semanas torturando a faccionista porque deu erro nas peças, mas eles já haviam feito um acordo, mesmo assim ele ficou duas semanas mandando vídeos e fotos. Esse é um problema que elas enfrentam também, o tratamento do comprador para com a empresa é horrível”, finaliza.