Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Após quase cinco meses de espera, o município de Aurora recebeu o resultado do exame que confirma a morte de um macaco por Febre Amarela. Este ano já são três casos confirmados no Alto Vale nas cidades de Ibirama, Vitor Meireles e agora também em Aurora. Com a confirmação, o alerta para a circulação do vírus só aumenta.

Segundo a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Ana Paula Sebold Zimermann, este é o resultado da coleta feita em abril, na localidade de Fundos Aurora. Ela conta que o animal foi encontrado morto em uma propriedade rural e que além dele havia outro, mas não foi possível fazer a coleta. “Esse caso é do dia 27 de abril, só que o exame saiu só agora. Na época dois macacos estavam mortos e morreram nas mesmas circunstâncias. A gente acredita que o outro macaco também tenha morrido de Febre Amarela, mas não foi possível coletar amostras porque os cachorros levaram o macaco antes de ser realizada a coleta”, explica.

Ela conta ainda que o macaco estava em bom estado de conservação já que a morte havia acontecido há algumas horas e por isso o exame foi realizado através das vísceras. “O material foi encaminhado ao laboratório da Fiocruz, do Instituto Carlos Chagas. Então nós tivemos resultado e Aurora teve a confirmação. Isso nos traz uma preocupação porque significa que a gente tem o vírus circulando em nosso território”, revela.

Ana Paula diz que antes mesmo de ter certeza da causa do óbito, a equipe de Saúde deu início às ações para evitar possíveis casos da doença, uma delas foi o bloqueio vacinal, onde foram procuradas pessoas que ainda não tinham sido imunizadas.

Em Aurora, a maior parte dos moradores já foi vacinada. A cobertura vacinal em relação à Febre Amarela corresponde a mais de 90%. “A Febre Amarela é uma doença com alto poder de letalidade, uma doença infecciosa febril aguda e que não é contagiosa entre uma pessoa e outra e nem entre o macaco e o ser humano, mas é causada pelo vírus que comprovadamente está circulando na Mata Atlântica. Atualmente o município possui a cobertura vacinal de 91% para a febre amarela, mas 399 pessoas ainda não tomaram a vacina”, conta.

Como a vacina é a única forma de prevenir a infecção pelo vírus, a cidade está estudando meios de otimizar e favorecer a vacina aos que ainda não foram imunizados. “Semana que vem nos dias 2 e 24, a gente vai ofertar novamente a vacina e o sábado dia 26 foi escolhido como o dia D. Vamos abrir a unidade para disponibilizar a vacina de febre amarela. Provavelmente nós iremos visitar as comunidades novamente”, afirma. Ela pede ainda que os pais levem seus filhos até a unidade de saúde. Podem ser imunizadas pessoas entre nove meses e 60 anos de idade. Com 60 anos é preciso passar por avaliação médica antes de proceder com imunização.

Segundo Boletim divulgado em agosto pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive) já foram 17 casos confirmados no estado. Eles ocorreram em municípios com notificação de epizootias confirmadas ou indeterminadas, sendo que nenhuma destas pessoas possuía registro da vacina contra a febre amarela. Entre dezembro do ano passado e agosto deste ano, foram notificados ao todo 148 casos humanos suspeitos de Febre Amarela, sendo que 131 foram descartados (102 por critério laboratorial e 29 por critério clínico epidemiológico) e 17 foram confirmados. Dos casos confirmados, dois evoluíram para óbito.

De acordo com a bióloga da Gerência Regional de Saúde, Leoisa Andrião Coelho a única forma de prevenir a doença é a vacinação. Na Supervisão Regional de saúde de Rio do Sul, não há casos confirmados da doença em pessoas. Em agosto havia casos suspeitos nos municípios de Rio do Sul, Presidente Getúlio, Vidal Ramos, Imbuia, Aurora e Taió, mas felizmente foram descartados.

O que fazer ao encontrar macaco morto

O macaco não transmite o vírus, ele é apenas um hospedeiro que pode sinalizar a circulação em determinada região. A orientação quanto ao encaminhamento de macacos mortos ou doentes com sinais e sintomas de alguma doença é que sejam avisadas as autoridades de saúde. “A gente faz um apelo a população que todos os casos de macacos observados doentes ou mortos em suas propriedades que sejam comunicadas as autoridades, pode ser o agente comunitário, a Secretaria de Saúde, o enfermeiro, médico que encontrem uma maneira de comunicar e que as pessoas façam a vacinação, tomem a vacina”, finaliza Ana Paula.