Cidade

Aos poucos as feridas deixadas pela enchente do mês passado vão cicatrizando. A resiliência do povo rio-sulense demonstrou mais uma vez que o trabalho e a vida seguem. Após a recuperação das residências e das perdas que as famílias desalojadas sofreram, é hora de socorrer as empresas, que ficaram em sua maioria amargando duas semanas de profundos prejuízos físicos e econômicos.

Para oportunizar uma via de recuperação para os empresários de Rio do Sul outras cidades do Alto Vale, o presidente da Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badesc), José Cláudio Caramori, e o diretor administrativo-financeiro, Olivio Karasek Rocha, estiveram na tarde de ontem na Associação Empresarial de Rio do Sul (Acirs). O objetivo é apresentar uma linha de crédito pós-enchente específico para o setor, denominada ‘Badesc Emergencial’. Outras modalidades de crédito também foram discutidas na oportunidade pelo presidente da agência.

Ele comentou que o estado de Santa Catarina constantemente tem vivido situações emergenciais que demandam uma atenção do órgão, para manter o setor econômico competitivo e vivo. “Nos deslocamos para a região do Alto Vale buscando cumprir aqui uma agenda em várias cidades. Estamos aqui para conversar com a comunidade com as lideranças, no sentido de levar os programas que o Badesc tem para atender situações normais e também emergenciais. Objetivamos que empresas atingidas por esta catástrofe [enchente] possam atingir rapidamente esse crédito”, afirmou Caramori.

Essa rapidez é o objetivo do Badesc, segundo explica Caramori. Ele destaca que a empresa que almeja a linha pós-enchente, precisa atender as demandas legais de qualquer operação financeira, além do município ter sido reconhecido o episódio pela Defesa Civil. “A partir daí, o Badesc estará apto a direcionar recursos, estabelecidos limites entre R$ 30 mil e R$ 250 mil. Nessa parceria com a Associação Empresarial [Acirs] e com a Prefeitura, além do Sebrae, nossos técnicos procuram orientar as empresas”, detalhou o presidente a Agência.

O diretor institucional da Acirs, Eduardo Schroeder, comenta a difícil situação enfrentada em junho pelo empresariado, que após quase duas semanas sem movimentar recursos, precisa orientar suas ações. “A gente está preocupado como entidade associativa, uma instituição que tem que fazer com que não pare a economia. O que passamos naquelas semanas foi preocupante. O Badesc está vindo nos visitar, é um parceiro nosso, e nos traz essa notícia do financiamento para quem foi afetado”, diz o diretor.

Ele salienta que os empresários precisam tomar conhecimento aprofundado dos detalhes deste crédito, para saberem se a modalidade se encaixa em suas necessidades e planejamento financeiro. “Sabemos que juros módicos, baixos, não existem mais. É preciso detalhar qual é o prazo, se há carência ou não, uma garantia para que a gente possa colocar esse dinheiro no mercado e movimentar a economia”, disse Schroeder.

 

SOS Empresas

Pelo menos 820 empresas preencheram um cadastro oferecido pela Prefeitura em parceria com entidades do setor produtivo de Rio do Sul, para quantificar suas perdas durante a enchente ocorrida entre o final de maio e início de junho. A soma de prejuízos contabilizados é de R$ 73.469.651,88, contando os setores industrial, comercial, serviços, agricultura, pecuária, entre outros. O balanço foi apresentado dia 14 de junho em reunião envolvendo o Poder Público municipal e entidades de classe.

Airton Ramos