Economia
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A criação de suínos é bastante comum em Santa Catarina, já que o estado é um dos maiores produtores do Brasil. No município de Salete, a cultura representa 15% do movimento econômico e por lá algumas propriedades estão inclusive multiplicando o número de animais.

No ano passado, os números divulgados pelo Ministério da Economia mostrou um dos melhores resultados da história. O agronegócio teve aumento de 35% no faturamento com embarques do produto, chegando a US$1,2 bilhão. Só em Salete são 23 produtores e o número deve aumentar. Segundo Levi Lenzi que é secretário de Agricultura, a cidade possui uma lei que proporciona descontos sobre horas de serviço do maquinário para implantação de granjas. “Temos a lei municipal nº 1.904 de 09 de julho de 2018, que dá 45 % de desconto sobre 50 horas de máquinas para a implantação da granja com as devidas licenças ambientais”, explica.

Para ele, o aumento da aumento da arrecadação de Salete tem relação com o crescimento da atividade na cidade. Levi enfatiza que a venda de suínos representa 15% do movimento econômico e que incentivar a atividade proporciona melhores perspectivas para todos.  Além de lucros para as famílias, o município é beneficiado também. Alguns produtores estão até multiplicando a quantidade de animais. “O incentivo a terraplenagem colabora com a demanda de novas construções no meio rural. Famílias de agricultores do município receberam o benefício de horas de máquinas para adequação do terreno onde serão construídas novas granjas para a produção de suínos.  Um dos produtores disse que quer dobrar a produção de suínos, de 1500 para 3000”, comenta.

Valmor Von Boemel trabalha com granja há um ano e já está ampliando o local para receber mais animais. ” A prefeitura me auxiliou com terraplanagem para o chão, com macadame nas estradas e isso vai me ajudar para poder aumentar o local. Já temos 150 metros construídos e vamos aumentar mais 150 metros. De 1500 porcos, nosso próximo lote irá aumentar para 3 mil”, destaca.

Criação de suínos em Santa Catarina

Em notícia divulgada pelo Governo do Estado, o governador Carlos Moisés disse que o agronegócio catarinense ampliam a economia. “Esse resultado demonstra a força do agronegócio catarinense, que é um dos motores que impulsionam nossa economia diversificada. Com o esforço do Governo do Estado, das indústrias e produtores, conseguimos um bom desempenho mesmo em um ano de pandemia”, afirma.

Ainda sobre a notícia, o secretário adjunto de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Ricardo Miotto, fez projeções otimistas para 2021.“Com muito trabalho, superamos a barreira de US$ 1 bilhão com as exportações de carne suína e esse é um volume de negócios muito interessante para Santa Catarina. Em 2021, apesar da alta nos preços dos insumos, a carne suína continuará favorável e nós seguiremos acessando mercados e aumentando o volume de exportações”, esclarece.

No último ano, Santa Catarina embarcou mais de 523,3 mil toneladas de carne suína com destino a 67 países. Principalmente China, Chile, Hong Kong e Japão. O estado respondeu por 52% do total exportado pelo Brasil, ou seja, mais da metade de toda carne suína vendida pelo país é de origem catarinense.

China segue como maior mercado comprador

A China responde por mais de 60% das exportações catarinenses de carne suína em 2020. A venda do produto para os chineses trouxe um faturamento de US$ 740,2 milhões, 76% a mais do que no ano anterior.

Segundo o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz De Lorenzi, o aumento nos embarques e a valorização do dólar fizeram com que indústrias, cooperativas e suinocultores saíssem ganhando. “Foi um ano muito positivo e histórico para a suinocultura. Esperamos que em 2021 também tenhamos essa exportação sempre em alta para continuarmos com rentabilidade e investindo no bem estar animal e na sanidade dos nossos planteis”, ressalta.

Com um status sanitário diferenciado e reconhecido internacionalmente, Santa Catarina ampliou a venda para mercados considerados premium: Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. Esses países são conhecidos pela alta exigência e também pela compra de produtos mais nobres. O Japão, por exemplo, passou a ser o quarto maior destino das exportações catarinenses com US$ 43 milhões de faturamento – 108% a mais do que no ano anterior. As vendas para os Estados Unidos tiveram um aumento de 57% nas receitas.

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), em parceria com a iniciativa privada e os produtores, mantém um rígido controle das fronteiras e do rebanho catarinense.  Além disso, o estado é o único do país reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa sem vacinação, o que demonstra um cuidado extremo com a sanidade animal e é algo extremamente valorizado pelos importadores de carne. Santa Catarina, junto com o Rio Grande do Sul, é zona livre de peste suína clássica.