Alto Vale
Foto: Rafael Beling/DAV - A torre de ciclones, ao fundo, é o setor responsável pelo processo de industrialização do cimento

Uma edificação com 190 mil metros quadrados de área, mais um campo de extração de minério com extensão de 530 mil metros quadrados. Ao todo, 250 empregados. Capacidade de produção de 750 mil toneladas de cimento por ano, distribuídos em sacos (70% da produção), ou a granel (30% da produção), nos mercados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essas informações ilustram a influência da Votorantim Cimentos na economia de Vidal Ramos, município onde a empresa está instalada, e também para a região do Alto Vale do Itajaí.

De acordo com o Gerente de Fábrica da empresa, José de Cassio Schittini, o atual campo de exploração de minério possui autonomia de 34 anos. “A reserva do minério no município daria para ser explorada em até 100 anos”, explica.

A fonte abundante da matéria prima utilizada na produção de cimento, o calcário, trouxe desenvolvimento e emprego ao município. Do atual quadro de colaboradores, 90% são de Vidal Ramos, que foram capacitados por meio de cursos em parceria com entidades do Sistema S de educação para atuar dentro da empresa.

Por incrível que pareça, a logística que possibilita o escoamento da produção faz com que a planta da Votorantim de Vidal Ramos seja uma das menos ociosas entre as 18 fábricas de cimento do país. “O cimento não anda, e o custo do frete é alto. Com a proximidade de Vidal Ramos dos portos de Imbituba e Itajaí conseguimos aumentar nossa concorrência”, explica Cassio.

Dos sete tipos de cimento comercializados pela empresa no Brasil, a planta de Vidal Ramos é especializada na produção de cimento para uso geral e para obras especiais. Além disso, a unidade serve como central de distribuição de dois tipos de argamassas produzidas na unidade de Rio Branco do Sul (PR).

Certificado ISO 14.001

Por ser uma atividade que resulta em impacto ambiental, a Votorantim Cimentos possui um programa contínuo de monitoramento de gases e ruídos que são produzidos. São analisados periodicamente os índices de emissão de gases na atmosfera, a qualidade do ar ao entorno da planta, monitoramento da qualidade das águas superficiais e subterrâneas, monitoramento dos efluentes, dos ruídos, e da vibração produzidos pela fábrica.

Com objetivo de minimizar esses impactos, a empresa dispõe de programa de recuperação de área degradada, educação ambiental, gerenciamento de resíduos sólidos, monitoramento e estabilização de taludes.

Um dos destaques da empresa é a aplicação do processo de coprocessamento, que utiliza o potencial energético de resíduos industriais e biomassas como substituto de combustíveis e matérias primas não renováveis na produção de cimento.

Coprocessamento

Atualmente a Votorantim trabalha com quatro fontes de energia para geração de calor para os fornos que alcançam mais de 1.400ºC durante a produção do cimento. Além do uso de pneus descartados, cavaco de madeira (biomassa) e outras matérias-primas, como o coque de petróleo e carvão mineral, a empresa investe no uso do RT50, que consiste na utilização dos resíduos gerados na queima do coque de petróleo, evitando que estes resíduos resultem em um passivo ambiental devido ao descarte em aterros.

O gerente de Coprocessamento da Região Sul/Sudeste, Bruno Marin, explica que o objetivo da planta em Vidal Ramos em 2020 é alcançar 40% de sua matriz térmica com essas fontes alternativas, 2,5 milhões de toneladas de materiais alternativos por ano e ampliar o uso de combustível derivado do resíduo. “A Votorantim investiu quase R$ 100 milhões nos últimos 3 anos em busca de tecnologia que possibilite essas alternativas de geração de energia”, conta.

Em 2016, 5% da matriz energética era oriunda de biomassas neutras em carbono. Foram utilizadas 630 mil toneladas de materiais alternativos, sendo 150 mil toneladas de pneus inservíveis.

Relacionamento com a comunidade

“Procuramos dar todo o tipo de suporte necessário para que o município não se torne dependente das atividades da empresa”, explica a analista de Responsabilidade Social da Regional Sul, Fernanda Ramos.

Entre 2012 e 2017 a empresa investiu cerca de R$ 3 milhões em diversas áreas do município. 66% desses recursos foram destinados ao fomento da economia.

Entre os principais resultados alcançados, a geração de renda por meio do subsídio e incentivo para criação de três negócios locais, que consistem na produção de biscoito, geleia e mel, 2,4 mil alunos beneficiados em programas culturais, capacitação e formação para a gestão e captação de recursos para administração pública e organizações não governamentais, além de qualificação e empregabilidade de mão de obra do município.

A empresa também pretende influenciar no desenvolvimento da educação no município, por meio do Programa Parceria Votorantim pela Educação, onde a empresa disponibiliza profissionais e parcerias para qualificação das práticas de gestão educacional e escolar. “A má gestão dos investimentos públicos em educação faz com que o país perca R$ 56 bilhões anualmente. Hoje, apenas 9,3% dos alunos termina o ensino médio com proficiência mínima em matemática e 27% em português, e nosso objetivo é ajudar a mudar isso”, finaliza Fernanda.

Rafael Beling