Especial
Foto: Divulgação/Tremtur - Locomotiva Baldwin Ten Wheels faz um trajeto de 2,8 quilômetros

Reviver o passado em um trajeto de poucos 2,8 quilômetros, recuperados da Estrada de Ferro Santa Catarina (EFSC), tem se tornado inesquecível para muita gente, inclusive de outras regiões do Vale do Itajaí, que vem para a Apiúna no segundo fim de semana da cada mês para conhecer o projeto cultural da Ferrovia das Bromélias, que acontece graças à iniciativa de voluntários do grupo Tremtur.  Neste domingo, dia 10, acontece o último passeio de trem Maria Fumaça do ano.  As viagens iniciam às 10h e a bilheteria funciona das 8h30 até às 15h30, com o trem saindo de hora em hora.

Ouvir o apito da locomotiva Baldwin Ten Wheels fabricada em 1920, o cheiro de lenha queimada e se divertir ao primeiro solavanco da Maria Fumaça ao entrar em movimento junto ao silvo estridente e metálico das rodas, é um momento de pura nostalgia, para quem hoje tem mais de 50 anos. Já para as crianças e adolescentes, uma novidade, uma opção de lazer e uma oportunidade de conhecer como seus pais e avós se locomoviam em uma máquina movida apenas a vapor.

O passeio turístico, histórico e cultural da Estrada de Ferro Santa Catarina, acontece todos os meses no Centro da localidade de Subida, município de Apiúna, às margens da Estrada Geral Subida. Nele, cada momento, deste do embarque na plataforma, o tocar do sino anunciado a partida e a conferência dos bilhetes da passagem pelo fiscal do vagão é exatamente como era feito nas viagens do passado.

Neste tempo, o trem era o principal meio de transporte e mais seguro para percorrer longas distâncias no Alto Vale. “Uma viagem de Blumenau à Rio do Sul poderia levar até seis horas, e esta era a maneira mais confortável e segura de se fazer esta viagem, que pelas estradas de carroça, se levaria até dois dias”, relata a guia da viagem, Elisabet Bento, que também presta trabalho voluntário.

Reviver a história e relembrar a última viagem

No último passeio, realizado no domingo, dia 12, além de jovens e entusiastas, muita gente pode reviver o passado, como um grupo de visitantes de Itajaí e Camboriú, que ocupou um dos vagões.

Algumas das pessoas desta excursão puderam relembrar a última viagem da Maria Fumaça número 331, ocorrida há 46 anos (dia 12 de março de 1971), que ocorreu ainda com poucos passageiros e com o objetivo de recolher os vagões remanescentes algumas estações. O momento é descrito como um dia triste, que teve como marco o apito choroso da locomotiva e as pessoas se despedindo na beira da linha com lenços brancos ao longo da viagem de Rio do Sul para Blumenau. As 12 locomotivas que haviam na época, ficaram na Itoupava, em Blumenau até o ano 1973 para serem sucateadas. Com a abertura da BR-470 e a falta de modernização, a ferrovia foi decretada antieconômica.

Já outras pessoas, puderam com alegria, matar a saudade do passado. “Só faltou o vendedor de sonhos e Chocoleites passar com a bandeja presa ao corpo com tiras couro”, relembra, Elisete Zarske, uma das passageiras, vindas com um grupo de Camboriú. Durante toda a viagem uma guia relata a história da EFSC e o funcionamento da locomotiva durante o passeio.

No trajeto os visitantes são contemplados com um túnel de 68 metros, um viaduto de pedra com dois arcos com 12 metros de altura, e uma passagem superior também em arco, para então adentrar a um profundo corte de 170 metros de extensão. A ferrovia também adentra um trecho de mata atlântica preservada até a entrada do pátio da Usina Hidrelétrica Salto Pilão, onde os passageiros podem contemplar a paisagem do Rio Itajaí-Açú.

A locomotiva parte de hora em hora, sobe até a Usina e volta à estação. Os dois vagões têm lugar para 100 passageiros de cada vez.  Outro espetáculo é uma parada no meio do caminho para a chamada “descarga da caldeira”, onde é aliviada a pressão da locomotiva.

Preservação da História

A recuperação do percurso foi uma iniciativa da ONG Tremtur, em parceria com a Usina Salto Pilão, a prefeitura de Apiúna e a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). A Ferrovia das Bromélias, como é chamado o projeto original, inclui a reativação de um trecho total de 28 quilômetros, de Subida, em Apiúna, a Matador, no Bairro Bela Aliança, em Rio do Sul.

O passeio se dá no trecho reimplantado do antigo leito da extinta EFSC, que funcionou de 1909 a 1971. Essa ferrovia teve sua construção iniciada com capital e tecnologia alemã, vindo a ser a única no Brasil construída pelos alemães.

Na época, pouco antes de sua desativação, apesar de restrita em investimentos, a EFSC ainda prestava serviços relevantes a toda comunidade no transporte de passageiros e mercadorias pelo Vale.

Novo capítulo da história

Um convênio de cooperação estimado de R$ 11, 7 milhões, foi assinado em novembro para execução dos serviços e projetos de engenheira para implantação da Ferrovia das Bromélias em Rio do Sul, numa extensão de 12,8 quilômetros.  As obras serão realizadas pelo 1º Batalhão Ferroviário do Exército em Santa Catarina de Lages.

Conforme expectativas os trabalhos devem durar cerca de um ano e meio.  A capacidade do passeio também será ampliada, já que mais três vagões e mais duas locomotivas alemãs estão sendo restauradas. A que está em Apiúna é de fabricação norte americana.

A ferrovia, considerada fundamental para o desenvolvimento do turismo na região, terá 15 quilômetros ligando os municípios de Apiúna e Lontras- somados ao trecho já existente. 

Passeio Histórico Cultural de Maria Fumaça, em Apiúna

Horário de funcionamento: Bilheteria: 08h30min ás 15h30min Primeira partida: 10 h

Site: www.abpfsc.com.br

E-mail: efsc@abpfsc.com.br

Telefone: (47) 3353-6090 / (47) 98894-5517

Endereço: Estrada Geral Subida S/N, Centro

Valor da entrada: Ingresso R$ 30,00.

Marcelo Zemke