Alto Vale

Reportagem: Gabriela Szenczuk/DAV

Em meio à pandemia do coronavírus, Taió terá medidas mais restritivas para o combate e prevenção à doença, uma vez que o município é o segundo com maior número de casos do Alto Vale do Itajaí:118 confirmados e 104 suspeitos até a tarde desta terça-feira (07). Um novo decreto que vale até 1º de agosto, e que ainda pode ser prorrogado, define restrições de horários de funcionamento de padarias, bares, lanchonetes e restaurantes.

Dentre as medidas estabelecidas no decreto, bares, lanchonetes e padarias terão atendimento permitido de segunda a sexta-feira das 06h às 21h e aos sábados e domingos das 06h às 15h. Após estes horários só será permitido o atendimento com retirada do pedido no balcão, delivery (tele-entrega) ou drive thru, não sendo permitida a permanência de clientes nos estabelecimentos. No caso de descumprimento das medidas uma é multa aplicada e a infração será considerada grave. Em caso de reincidência a infração será considerada gravíssima com aplicação de multa.

O decreto municipal considerou o decreto estadual nº 630, de 1º de junho de 2020, de medidas sanitárias para combate e prevenção ao coronavírus, além do aumento dos casos da doença desde 5 de junho. Ainda segundo o prefeito da cidade, Almir Guski, as medidas foram tomadas de acordo com o decreto estadual do Governo do Estado que autoriza cada cidade a adotar medidas restritivas de contenção e enfrentamento da pandemia em âmbito local. O decreto também prioriza e considera a necessidade de adoção de medidas para preservar e assegurar a manutenção da saúde e da segurança da população que precisa deixar o isolamento social para desenvolver atividades essenciais ou adquirir bens de primeira necessidade.

De acordo com Almir, a medida tem como um dos objetivos principais tentar frear a juventude para que os casos não se proliferem. “A nossa estatística fala que a maioria dos infectados são jovens. Então, a nossa preocupação é que estes jovens tenham contato com pessoal de mais idade, que estão em grupo de risco, por exemplo.” O prefeito explica que há grande preocupação também com o colapso no sistema de saúde. “Já estamos tendo problemas com o sistema de transferência, por exemplo. Nós temos aqui no hospital pacientes internados e os médicos estão extremamente preocupados com este sistema”, ressalta. Ele ainda reforça a preocupação com a pandemia. “Estamos preocupadíssimos com esta doença, que às vezes o jovem parece não estar, mas quando chega pertinho da gente, assusta. Então nós precisamos tomar estas medidas mesmo sabendo que é uma difícil para o poder público tomar, já que restringe a economia, que já está tão complicada.”

Para o proprietário de uma lanchonete, Sidnei da Rosa Mendes, o decreto o atinge direta e negativamente. “Eu acho uma coisa absurda. Há mercados, bazares e bancos lotados sem nenhuma vigilância. Na nossa lanchonete estamos com todas as normas de segurança. Por que só a gente é prejudicado? O covid só vai pegar à noite? Acho meio estranho. Uma solução seria fiscalizar estabelecimentos como o meu à noite, mas não chegar e falar pra fechar as portas num determinado horário”, desabafa. Ele ainda diz que com a pandemia, o estabelecimento já estava sendo afetado financeiramente pelo isolamento social e a clientela menos presente. Agora, com o decreto do prefeito, as coisas podem piorar.

Já outro proprietário de um estabelecimento da cidade, que preferiu não se identificar, pensa que não é certo paralisar e esperar tudo acabar. Ele diz que é preciso trabalhar. “O que não entendo é com base no que esse decreto foi feito. O vírus só existe depois das 21h no dia de semana e depois das 15h nos finais de semana? Falaram que foi na base de uma pesquisa que fizeram que o maior número de casos é de jovens, que geralmente frequentam esses lugares. Eles realmente acreditam que se fecharem os bares, lanchonetes e afins de Taió, os jovens irão ficar em casa? Não, sempre estamos acompanhando as redes sociais e sabemos que os jovens não ficam em casa”, desabafa. Ele ainda comenta sobre o vírus e como estava funcionando o estabelecimento antes do decreto entrar em vigor. “O vírus é invisível e está por todo o lugar. Nenhuma pesquisa vai realmente provar se é mais fácil pegar nos bares, nas lanchonetes, nos mercados, nas lojas, etc. O meu estabelecimento estava trabalhando e respeitando menos de 30% da lotação, que é permitido no decreto estadual, tomando todas as precauções”. O proprietário finaliza falando sobre a questão econômica e demonstra indignação. “Temos família, funcionários e boletos para pagar. Sei que a hora é de se cuidar ao máximo, mas não podemos parar.”