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Um decreto assinado pelo prefeito de Rio do Sul há alguns dias vem gerando muita polêmica e pode até ser motivo de um protesto. O documento permite a retirada, inclusive à força, dos materiais recicláveis que são armazenados a céu aberto pelos catadores. O objetivo seria impedir a proliferação do mosquito da dengue, mas a medida tem desagradado quem trabalha com a coleta.

 

A diretora da Vigilância Sanitária e Epidemiológica, Nadir Marchi, comenta que só nesse ano a cidade já teve nove focos do Aedes Aegypt, número considerado alto e que está próximo a uma situação de infestação.

“Temos os catadores registrados em Rio do Sul e há vários anos eles são orientados pela Vigilância e pelos servidores que trabalham com endemias, mas muitos não atendem o pedido e diante desse quadro com nove focos, onde o município está prestes a ser considerado infestado do mosquito Aedes Aegypti, então essas medidas tiveram que ser tomadas”, disse.

 

Há alguns dias os catadores estão sendo visitados e recebem um prazo de 24 horas para tirarem do local os reciclados que estão armazenados a céu aberto. Depois desse período os fiscais voltam ao imóvel e se orientação não tiver sido atendida o material é recolhido pela Secretaria de Obras e encaminhado de forma gratuita para uma associação de reciclagem cadastrada junto ao município. Toda a ação é acompanhada também pela Guarda Municipal caso haja resistência.

 

Nadir comenta ainda que em muitos locais os catadores não apresentam resistência, mas em outros eles não aceitam a retirada.

“Mas é importante que essas pessoas entendam que se continuar esse material a céu aberto os focos vão continuar aparecendo e o mosquito encontrando um ambiente muito propício para a criação. Ainda não tivemos, mas daqui a pouco podemos ter casos da doença”, alerta.

 

No entanto, alguns catadores afirmam que a prefeitura tem recolhido até mesmo o material que está coberto. Márcio Nunes, que recolhe reciclado desde criança, diz que o caso aconteceu com um colega.

“Tem lugar que eles foram lá e recolheram dentro de galpão. Eles invadiram e tiraram tudo. Agora vamos juntar, todos os catadores, e vamos para a frente da prefeitura fazer protesto”, revela.

 

Ele ressalta que na sua opinião a prefeitura deveria fiscalizar outros locais que tem água parada e oferecem mais riscos.

“Temos filmagem e tudo, que no pátio da prefeitura tem caminhão velho com água parada, latão de tinta e agora querem tirar o trabalho dos catadores que estão limpando a cidade, recolhendo esse material?”, questiona

 

Márcio afirma que hoje sustenta a família com o recolhimento do reciclado e o decreto pode prejudicar a renda familiar de todos os catadores.

“Eu vivo disso, ganho mais ou menos mil e duzentos reais e crio meus quatro filhos com esse dinheiro que eu uso inclusive para pagar o aluguel da casa que é de seiscentos reais, o que eu vou fazer agora? Roubar? Se precisam tirar o nosso material por que não arrumam um galpão para a gente? Por que levar só para uma empresa?”, indaga.

 

Em nota a prefeitura de Rio do Sul declarou que o acúmulo de lixo em local sem cobertura representa risco grave de doenças para toda a população e é importante que todo cidadão seja vigilante com relação à possíveis locais em que a água parada possa gerar focos de mosquito. Denúncias podem ser encaminhadas ao setor de vigilância contra endemias, ligada a Secretaria de Saúde de Rio do Sul.

 

Com relação a denuncia do catador Márcio Nunes, que diz que o pátio da prefeitura tem caminhões velhos com água parada, a assessoria de imprensa afirmou que o monitoramento de veículos estacionados no pátio da Secretaria de Obras de Rio do Sul já é realizado pelos agentes de combate à endemias da Secretaria de Saúde, sendo que o local passará por limpeza.

 

Helena Marquardt