Política
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Um projeto de lei da deputada federal Geovania de Sá (PSDB/SC) quer combater a pobreza menstrual, que embora ainda seja tratada como um tabu, impacta diretamente na vida de milhares de mulheres brasileiras. A proposta prevê a distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde.

Geovania afirma que hoje a pobreza menstrual é um problema de saúde pública, já que muitas mulheres e meninas deixam de praticar sua atividade, seja no trabalho ou na educação, porque não tem acesso a absorventes. “Pode parecer insignificante para um homem, mas para uma mulher que não escolhe menstruar, sabemos que é muito importante, fundamental”, disse.

Segundo a parlamentar, estudos apontaram que mais de 24% das mulheres brasileiras faltam ao trabalho ou a escola 45 dias por ano em virtude da pobreza menstrual. Para substituir os absorventes elas utilizam pedaços de pano, papel higiênico, jornais e outros materiais que podem ser prejudiciais à saúde. “Ouvi depoimentos de mulheres que utilizam inclusive miolo de pão, então são histórias sensíveis e só uma mulher com sua sensibilidade para desenvolver esse projeto porque nós sentimos na pele”.

Geovania diz que ao estudar o tema conheceu exemplos de países que fornecem os absorventes nas unidades de saúde. “Estamos falando de pobreza menstrual, de saúde pública, vai muito além da situação de não poder comprar um absorvente. Essa mulher teve que escolher entre ter sua proteção ou dar de comer para o seu filho, para sua família. Hoje nós temos a Nova Zelândia, Estados Unidos, Ucrânia que já têm um projeto assim implantado”, cita.

Ela comenta ainda que hoje as unidades de saúde já fornecem preservativos gratuitamente e nada mais justo que ofertar também preservativos para mulheres carentes. “Uma relação a mulher pode escolher se quer ou não, mas menstruar não, é biológico. Ao utilizar materiais inapropriados, a mulher tem problemas de infecções e as consequências são gravíssimas, para a saúde e até para a vida econômica dessas famílias. Quando se dá o mínimo que ela precisa você traz dignidade, autoestima”.

A presidente do PSDB em Santa Catarina relata que depois de ter lançado o projeto, recebeu centenas de depoimentos com histórias que retratam a pobreza menstrual. Agora o PL vai passar pelas comissões e depois irá para votação. “A gente vai trabalhar para que realmente esse projeto ande e acho que isso vai melhorar a vida da mulher. É um investimento em saúde pública para evitar um problema que lá na frente o SUS vai ter que tratar”, finaliza.