Alto Vale
Foto: Divulgação

Cláudia Pletsch/DAV

Um crime ambiental que traz prejuízos financeiros e ambientais para o município de Laurentino já é recorrente e vem revoltando quem vive principalmente em localidades do interior. O descarte de lixo em locais de mata na estrada Serra Maracujá e na localidade de Fruteira resulta em retrabalho para equipes da Defesa Civil, Secretaria de Meio Ambiente e Secretaria de Obras, além de oferecer riscos para os trabalhadores que precisam fazer o recolhimento dos materiais.

Menos de 20 dias depois de uma fiscalização da equipe da Defesa Civil, a estrada Serra Maracujá já tinha grande quantidade de lixo jogada em meio a mata. Nem mesmo as placas indicativas proibindo o descarte no local resolveram o problema que acarreta apenas em retrabalho para os funcionários das secretarias.

De acordo com o secretário de Defesa Civil do município, Luiz Carlos Girardi, são feitas fiscalizações diárias desde o início do ano nos pontos mais críticos, e o que é encontrado nesses locais é o que chama atenção. “Desde uma caixa de pizza até plantas ornamentais, carrinhos, brinquedos e tudo que se possa imaginar de coisas tem lá nesses locais. Realmente coisas todas recicláveis. Em um dos locais se for tirar tudo o que tem lá dentro eu acredito que passa de duas toneladas de lixo. Inclusive tem um local aqui que algum produtor de mudas descartou todas as embalagens de mudas, então tem horas que a gente fica até indignado pois o cara planta mudas nativas para reflorestar e acaba jogando as embalagens em local inadequado. Tem coisas que a gente não consegue acreditar que o ser humano é capaz de fazer”, relata.

Luiz explica que depois da constatação é feito o recolhimento dos materiais e a instalação de placas sinalizando o crime ambiental, ele diz ainda que as comunidades contam com locais de coleta adequados, mas que muitas vezes o descarte é feito em áreas mais afastadas que os próprios pontos de coleta. “A gente recebe ligações das pessoas falando que tem gente jogando em locais irregulares, vamos até o local e nos certificamos, orientamos, colocamos placas, informamos sobre o crime ambiental mas infelizmente é recorrente. E tem coleta de lixo, tem tudo, mas o pessoal prefere subir a serra e andar quilômetros para descartar na natureza do que colocar na beirada da BR onde passa o pessoal do lixo recolhendo”, conta.

Agora uma equipe de 15 colaboradores das Secretarias de Meio Ambiente, Obras e Defesa Civil fazem o recolhimento dos materiais e devem passar pelas comunidades e escolas trabalhando na conscientização. Segundo Luiz, os funcionários acabam expostos a riscos à saúde. “Nossos servidores passam muito trabalho e correm risco, pois onde eles descartam são locais de difícil acesso, são penhascos grandes e para descer até esses lugares e fazer o recolhimento é muito arriscado”, comenta.

Tiago Zacarias é morador do município há 12 anos e diz que acredita faltar conscientização, pois a informação dos males que o descarte irregular traz ao meio ambiente todos já sabem. “A gente costuma andar bastante pelo interior e desde que eu moro em Laurentino vejo bastante descarte de lixo em lugares vazios onde não tem casas perto e também nas beiradas de rio, muitos lugares das serras em locais retirados. Eu gostaria e não só eu mas muita gente gostaria que o pessoal se conscientizasse e fizesse o descarte correto desse lixo, porque futuramente isso vai prejudicar nós e os animais, pois jogam perto de nascentes. Eu fico indignado toda vez que vejo, acho que é uma atitude desumana, a gente gostaria que fosse aplicada alguma medida sobre isso, que não fosse só falado”, opina.

A Lei Ambiental, em seu artigo 54, informa que é crime ambiental causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora. A pena é de reclusão, de um a quatro anos, e multa.