Alto Vale
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Clínicas de todo o Brasil e entidades que atendem pacientes com doenças renais, lembraram nesta quinta-feira o “Dia D da Diálise” e aproveitaram a data para pedir recursos para tratamentos e outras ações. No Alto Vale, a Associação Renal Vida, que atende mais de 150 pacientes, também teve uma programação diferenciada e aproveitou para lembrar os pacientes da necessidade de investimentos e importância do tratamento.

A assistente social da Renal Vida, Elisabete Itajiba, explica que em 2019 eles não fizeram manifestações externas, mas conversaram com pacientes sobre o tema e também envolveram todos os funcionários.

Ela comenta que a data é realizada pelo segundo ano consecutivo pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) e marca a luta por reivindicações e melhorias para o setor. O objetivo das ações é mobilizar a sociedade, os governos municipais, estudais e federal para a necessidade de investimentos para a hemodiálise e a diálise peritoneal, fundamental para a sobrevivência de mais de 122 mil pacientes renais crônicos no Brasil que dependem do tratamento para manter uma vida próxima do normal.

“Com o mote Vidas importam! A Diálise não pode parar, as reivindicações no “Dia D” são pela adequada remuneração do valor da sessão de hemodiálise e diálise peritoneal às mais de 700 clínicas de diálise que prestam serviços para o Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo tratamento de qualidade e acesso para os pacientes renais crônicos”, completa.

De acordo com a ABCDT há anos, o valor pago pelo Ministério da Saúde para esses tratamentos estão abaixo do custo real e não acompanham a cotação do mercado. Grande parte dos insumos, como produtos e maquinários são importados, além de gastos com dissídios trabalhistas, folha de pagamento, água, energia e impostos. Com essas despesas e a grave diferença de valor, clínicas ameaçam encerrar suas atividades pela falta de recursos para compra de insumos para o atendimento aos pacientes.

Descaso histórico

De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), 122 mil pacientes renais crônicos dependem da hemodiálise, sendo que 100 mil dialisam em clínicas privadas que prestam serviços para o SUS. O mais recente censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) indica que mais de 700 clínicas realizam diálise no Brasil e, atualmente, mais de 1.000 pacientes em todo o Brasil aguardam pela disponibilidade do tratamento da hemodiálise pelo setor público, devido à falta de financiamento adequado. O atraso no repasse do pagamento da Terapia Renal Substitutiva (TRS) pelas Secretarias de Saúde estaduais e municipais aos prestadores de serviço ao SUS está entre os problemas recorrentes na nefrologia. Muitos gestores chegam a atrasar em mais de 30 dias o repasse após a liberação do recurso pelo Ministério da Saúde.

Na Associação Renal Vida de Rio do Sul, foram renovadas desde 2012, um total de 35 máquinas de hemodiálise, através de doações ao custo de aproximadamente 60 mil reais cada. Logo começaremos um novo processo, pois a vida média útil dessas máquinas é de 10 anos. Além disso frequentemente são lançadas portarias com novas exigências, sem uma contrapartida financeira. Os últimos reajustes foram de 5% em 2013 e 8,47% em 2017. (total 13,47%).

Hoje necessitamos de uma ampliação para atender a demanda do Alto Vale. Já temos promessa do poder público municipal de um espaço para a mesma, já no local atual. Precisaremos muito do apoio da comunidade e do poder público para realização desse projeto.

Helena Marquardt