Alto Vale
Foto: Arquivo/DAV

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

A ação coletiva contra a Retsul Retífica e Recuperação de Motores, empresa de Trombudo Central que fechou as portas sem pagar nenhum funcionário completa quatro anos e as dívidas já somam quase R$ 14 milhões. Mesmo depois de tanto tempo os colaboradores ainda enfrentam um longo e desgastante processo judicial que não tem previsão de terminar.

O advogado dos trabalhadores, Fernando Tadeu Carrara, explica que dos quase R$14 milhões, cerca de R$ 12 milhões são apenas de dívidas trabalhistas. O restante da quantia diz respeito a honorários assistenciais, de leiloeiro, perito, impostos entre outros.

Ele ressalta que nesse momento a defesa busca que três imóveis sejam levados a leilão para quitar ao menos parte do saldo devedor. “Queremos que sejam vendidos, porém a empresa fez recurso em relação a um dos imóveis e agora temos que aguardar e decisão em segunda instância. Eles perderam o embargo em Rio do Sul e agora a questão está em Florianópolis, mas é pouco provável que seja mudada a decisão de primeiro grau”, disse.

O advogado lembra que quando a empresa encerrou as atividades a defesa já ingressou com uma ação cautelar de indisponibilidade de bens para garantir o pagamento dos funcionários. “Entramos na empresa e penhoramos tudo que tinha desde maquinário, veículo e até os imóveis. Posteriormente a empresa fez um acordo com cada um dos funcionários informando que não tinha dinheiro para fazer o pagamento e assim que fossem vendidos os bens seriam pagos parte dos valores aos empregados. Algumas coisas foram vendidas e os funcionários receberam uma pequena parte, mas o objetivo é a venda desses imóveis que são os bens de maior valor para pagar mais uma parte”.

Fernando destaca que na época que a empresa encerrou as atividades, os cerca de 80 funcionários estavam com salários atrasados e não receberam qualquer valor da sua rescisão. “Com certeza tiveram muita dificuldade. Infelizmente está tendo uma demora muito grande na venda desses bens para poder dar pelo menos um respaldo aos direitos mínimos que os empregados tinham”, finaliza.

Indenizações por danos morais

Além das dívidas trabalhistas, a Retsul foi condenada em 2014 pela Justiça do Trabalho a pagar indenização para ex-funcionários por danos morais. Em um dos processos a justiça reconheceu que um deles era obrigado a participar de orações no início do expediente entre outras situações.