Alto Vale

Na edição conjunta de quarta e quinta-feira desta semana, a reportagem do Jornal Diário do Alto Vale foi conferir como estava a situação da BR-470 no trecho que corta o município de Rio do Sul até as proximidades da cidade de Lontras. As constantes queixas de motoristas que passam diariamente pelo local, e de empresários que sofrem para escoar sua produção foram agravadas com o período de chuvas na região.

Muitos buracos e remendos em péssimo estado tornam o trajeto, que já era precário, ainda mais perigoso. Na oportunidade, um borracheiro que trabalha às margens da via contou que já chegou a socorrer no mesmo dia mais de 120 pessoas com pneus furados, rodas entortadas e outros problemas ocasionados pela condição da pista. Sem contar o risco de acidentes, pois, carros, motocicletas e caminhões trafegam desviando dos desníveis na pista.

Já na tarde de sexta (16), o chefe de serviços do Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit) da região de Rio do Sul, Cristhiano Zunianello dos Santos, explicou que a intenção do Dnit é realizar a obra completa, em um trecho da BR-470 de 228 quilômetros, de Indaial até Campos Novos. O projeto inclusive já existe e teria o custo de R$ 229 milhões para o Governo Federal, mas, segundo o chefe do Dnit, a previsão orçamentária de 2017 foi de apenas R$ 37 milhões, ou seja, menos de 17% do valor necessário para que o problema fosse sanado, prejuízos evitados e acidentes prevenidos.

“A rodovia sofreu muito com esta questão das chuvas, e houve uma formação generalizada de buracos. Nós temos hoje um contrato para restaurar a rodovia toda, no entanto, nós não temos recursos. A obra deveria estar pronta já há dois anos. Dos 229 milhões [necessários para a obra] nós só conseguimos executar até hoje 65 milhões”, explica o chefe de serviços.

Ele ainda diz que a restauração começou no quilômetro 223, nas proximidades da Serra da Santa, em Pouso Redondo, e segue até Campos Novos. A previsão para conclusão desse trecho está prevista para o mês que vem, dependendo das chuvas. “Terminando lá, a intenção era seguir descendo a Serra, mas, com as chuvas, em Pouso Redondo principalmente se agravou muito. O acesso à Taió também, está terrível. Provavelmente a gente vai fazer entre o quilômetro 173 e 187, então, o próximo trecho de ‘ataque’ será esses 14 quilômetros aí”, afirmou.

 

Recursos

Zunianello diz que para haver a captação dos recursos necessários para a efetivação dos trabalhos, o procedimento é o envio de relatórios para a superintendência estadual do Dnit, que segue à Brasília para tentar buscar esta verba. Conforme revelou o chefe do Dnit, nem o que estava previsto para este ano será disponibilizado, atrapalhando, assim, a execução do planejamento desenvolvido.

“Mesmo que viesse todo o dinheiro não haveria tempo hábil para executar esta obra até final do ano. É um trecho muito grande que falta”, comenta Zunianello, que ainda fala que o contrato para execução acaba este ano, mas, que talvez seja prorrogado. “Sendo prorrogado, tem que ver a disponibilidade de recursos”, observa Zunianello.

 

Paliativos

O chefe de serviços do Dnit fala que os trabalhos a serem realizados são apenas de tapar buracos, roçadas, limpeza de sarjeta e outras manutenções básicas, ou seja, para que sejam solucionados de forma concreta os riscos da BR-470, a população ainda deverá aguardar por muito tempo. Existe no momento uma obra para construção de um trevo no município de Rodeio, que deve estar concluído em três meses.

Airton Ramos