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CRS/DAV

 

O mistério que envolvia a morte da menina Ana Beatriz Schelter, encontrada dentro de um contêiner em Rio do Sul em 2016, pode estar chegando ao fim. Quase quatro anos depois do crime, a justiça identificou dois suspeitos. O anúncio foi feito em uma coletiva de imprensa no Fórum de Rio do Sul na tarde desta terça-feira (11), que contou inclusive com a presença da família da vítima.

 

No dia 2 de março a menina saiu de casa, por volta das 13h para ir à escola Professor Henrique da Silva Fontes, mas não chegou a unidade e não foi mais vista nas horas seguintes. A residência dela ficava a menos de um quilômetro da instituição de ensino, mas desde aquele dia, ninguém sabe ao certo o que aconteceu no trajeto. O corpo da criança foi encontrado no dia seguinte dentro do contêiner de uma empresa de banheiros químicos a margem da BR-470 com sinais de violência sexual.

 

Na coletiva em Rio do Sul o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que estava auxiliando nas investigações a pedido da 3ª Promotoria de Justiça, anunciou que o primeiro suspeito foi preso em Florianópolis na segunda-feira (10) e o segundo nesta terça-feira (11) em Rio do Sul. Os dois tinham passagens pela polícia e tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada.

 

O promotor de Justiça ,Carlos Eduardo Cunha, coordenador do Gaeco da região de Blumenau, conta que a participação do órgão começou em novembro de 2019 para colaborar com o caso e o trabalho inicialmente foi focado na análise de tudo que havia sido colhido pela Polícia Civil até então.

“Em um primeiro momento trabalhamos com todas as provas e todos os depoimentos que a Polícia Civil tinha colhido, fazendo uma análise aprofundada de tudo que havia sido colhido e usando técnicas de investigação e diversos meios, alguns que não haviam sido utilizados anteriormente, e com base nisso solicitamos algumas medidas judiciais, quebra de sigilo telemático e algumas outras, até que culminamos com o pedido de busca e apreensão e prisão temporária de dois suspeitos”, disse.

 

Na etapa seguinte ele revela que o Gaeco colheu mais provas técnicas e periciais e ouviu mais testemunhas, não só os suspeitos, mas diversas outras pessoas que tem ou tiveram alguma relação com os fatos e os homens que foram detidos, mas Cunha não deu mais detalhes sobre a investigação alegando que ela continua sendo realizada.

“Algumas perguntas não podemos responder para não prejudicar as investigações”, declarou.

 

Na coletiva o coordenador do Gaeco ainda lamentou a demora para a resolução do caso.

“A família já esperou tempo demais para que o Estado desse uma solução para esse crime que tanto chocou a região e o estado inteiro, mas infelizmente contamos com um ponto negativo de estar investigando um crime que já ocorreu há muito tempo atrás e isso inegavelmente é um pouco complicado, mas asseguro a vocês que da parte do Gaeco e do Ministério Público vamos continuar trabalhando, vamos continuar as oitivas, e felizmente conseguimos avançar nas investigações, tanto que dois suspeitos foram presos e pretendemos elucidar esse crime ”, finaliza.

 

Família aguardava respostas

 

Desde o assassinato a família da menina aguardava respostas e a angústia de não saber quem matou a criança aumentava ainda mais a dor. O casal deixou a casa onde vivia e até se mudou de cidade com a filha mais nova. A mãe Cláudia Regina Pietz Schelter chegou a desenvolver um quadro de depressão e passou a tomar medicamentos. “Cada dia que passa a gente fica lembrando, recordando, é um sofrimento para mim, para o meu marido e para a minha filha”, declarou.

 

Em entrevista concedida ao Diário do Alto Vale os pais chegaram a afirmar que buscam forças na filha mais nova para tentar superar a dor, mas que Ana Beatriz jamais será esquecida. “Nós buscamos força nela, porque se nós ficarmos doentes quem vai cuidar dela? Mas a saudade é imensa da Ana Beatriz, a gente nunca vai esquecer”, afirmou Cláudia.

 

Helena Marquardt