Alto Vale
Foto: Luiz Peixoto - O lançamento do livro e documentário foi realizado no plenário da Alesc

Foi realizado na noite de terça-feira, às 19h, em Sessão Especial no plenário da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o lançamento do livro-documentário “Em nome da inocência: Justiça”, idealizado e organizado pelo ex-deputado estadual e médico, Jailson Lima da Silva, pelo desembargador de Justiça, Lédio Rosa de Andrade e pelo advogado e professor da Universidade de Caxias do Sul, Sergio Graziano. A iniciativa da solenidade foi do deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT), em homenagem ao reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo.

De acordo com Jailson, o livro-documentário não é especificamente sobre a vida do reitor, mas sobre o momento vivido na UFSC, a truculência e o regime de exceção que se constituiu por parte do Ministério Público Federal, Polícia Federal e Justiça Federal. “Na realidade o reitor foi literalmente assassinado, não foi um suicídio, ele foi empurrado pelas circunstâncias construídas”, explica.
O reitor se suicidou em um shopping no Centro de Florianópolis no dia 2 de outubro deste ano, após ser afastado da UFSC por determinação judicial. Ele e mais seis pessoas foram presas dentro da instituição no dia 14 de setembro e liberadas no dia seguinte. Eles são investigados pela Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que apura desvios de recursos em cursos de Educação a Distância oferecidos pelo programa Universidade Aberta no Brasil (UAB), na UFSC.

O organizador do livro conta que a Polícia Federal prendeu um cidadão inocente e repercutiu na imprensa que eles tinham feito um desvio de R$ 80 milhões, que eram destinados às bolsas de estudo, onde se supõe que Cencellier participou de um desvio de R$ 300 mil. “O reitor foi preso por suspeita de obstrução da investigação, em nenhum momento dos autos foi dito que ele desviou dinheiro”, lamenta.

O reitor foi colocado em uma penitenciária de segurança máxima. Algemado, recebeu revista íntima e ficou nu nos corredores do presídio. “Todos eles têm doutorado, pós-doutorado, esse reitor tinha vários livros escritos, além de ser um grande intelectual era uma figura humanista, de postura pacificadora e aglutinadora”, conta o ex-deputado.

O ato arbitrário da juíza, que segundo Jailson teve como objetivo alcançar os holofotes da imprensa, fez com que os três se reunissem para a montagem do livro-documentário. A obra contém artigos de 23 pessoas de todo o Brasil, além de criminalistas internacionais, que apontam todos os equívocos e erros cometidos tanto pela Polícia Federal, como também pelo próprio Estado. “Esse livro também é uma homenagem ao reitor, é o reconhecimento de sua integridade”, revela.

Com o lançamento da obra, os organizadores pretendem estimular a aprovação da Lei de Abuso de Autoridade pelo Congresso Nacional, criada pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), e intitulada de Lei Cancellier. A lei prevê que quem comete o erro é responsável pelo ato, diferente de hoje, onde o Estado é responsabilizado. “Se essas pessoas forem condenadas pelos seus erros, nós vamos pagar a conta”, conta Jailson. “Nosso objetivo, com o lançamento da obra, é que não se mate mais ninguém”, finaliza.

Rafael Beling