Alto Vale
Foto: Divulgação

Cláudia Pletsch/DAV

O radar meteorológico localizado no município de Lontras é uma obra antiga, inaugurada em 2014 e que custou mais de R$ 10 milhões. Neste ano o equipamento apresentou problemas por diversas vezes e está sem funcionar desde agosto, o que gerou inúmeros questionamentos sobre sua utilidade, especialmente após a enxurrada que atingiu o Alto Vale e causou dezenas de mortes e devastou cidades inteiras. A função do equipamento é monitorar de forma mais precisa a formação de nuvens e chuvas intensas como as que foram registradas na semana passada. Na tarde dessa segunda-feira (21), a Defesa Civil de Santa Catarina se manifestou sobre as polêmicas e afirmou que alertas foram feitos 24 horas antes do ocorrido e que Planos de Contingência são responsabilidade dos municípios.

Depois do temporal que atingiu a região na madrugada da última quinta-feira (17) a população questionou o funcionamento do radar que serviria exclusivamente para informar com antecedência sobre a intensidade da tempestade. Presidente Getúlio foi o município mais atingido e boa parte da cidade ficou totalmente destruída. Além das dezenas de mortes, centenas de pessoas ficaram desalojadas e o município decretou estado de calamidade pública já que mais de mil pessoas foram afetadas pela força da água que arrastou casas inteiras. A tragédia trouxe a tona perguntas sobre o que poderia ter sido feito se o radar estivesse em funcionamento.

Questionada sobre a funcionalidade do equipamento e se ele poderia ter previsto o temporal com maior precisão e antecedência, a Assessoria de Comunicação do órgão informou que na última semana os avisos e alertas começaram a ser emitidos para a população e para os gestores municipais cerca de 24 horas antes do evento registrado na quinta-feira (17). A Defesa Civil ainda afirmou que a responsabilidade dos Planos de Contingência é dos municípios. “É importante esclarecer que o radar é um equipamento de monitoramento, ele não afasta a possibilidade de eventos climáticos. Para que o equipamento fosse desligado a DCSC preparou uma estratégia para garantir a emissão de alertas. Ou seja, a DCSC permanece com a capacidade de monitoramento da área coberta pelo Radar de Lontras e de emissão de alertas à população. Para isso utiliza dados do radares do Morro da Igreja, do Oeste, Sul, do Estado do Paraná, de uma ferramenta de captação de descargas elétricas na atmosfera, imagens geradas pelo satélite meteorológico GOES-16 que fornece informações de tempestades severas, da rede de pluviômetros (que realizam o monitoramento do acumulado de chuva) e anemômetros (que acompanham a velocidade do vento). Estes dados são suficientes para que os meteorologistas da DCSC acompanhem o deslocamento ou a formação de qualquer instabilidade atmosférica na região. Na última semana os avisos e alertas começaram a ser emitidos para a população e para os gestores municipais cerca de 24 horas antes do evento registrado na quinta-feira (17). Para o sucesso de ações de autoproteção é fundamental a preparação das comunidades através dos Planos de Contingência, de responsabilidade das Defesas Civis municipais como regulamenta a Lei 12.608 / 2012, e do plano de emergência familiar que prepara as pessoas para as situações de risco”, diz a nota.

No documento o órgão ainda declarou que todas as ações necessárias para a retomada do radar estão sendo tomadas. “O equipamento foi paralisado após a constatação de desgaste de peças durante a manutenção preventiva. O radar está em condições de funcionamento normal, porém existia a possibilidade de desgaste acelerado, nova quebra de peças e diminuição da vida útil caso o equipamento fosse mantido operando nestas condições. É importante destacar que o processo de fabricação das peças sofreu atraso em função da pandemia mundial do Covid-19 que diminuiu a mão de obra especializada, matéria-prima e promoveu a fechamento de fronteiras, isso porque as peças são fabricadas nos Estados Unidos. Mesmo com todas as dificuldades a Defesa Civil de Santa Catarina reforça que as peças já foram fornecidas pelo fabricante e estão em processo de importação. Caso as fronteiras sejam mantidas abertas e o transporte de carga internacional mantenha a operação a instalação inicia próximo mês”, diz a nota.