Alto Vale
Foto: Rafaela Correa/DAV

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Alcançar a melhor idade com saúde e disposição é algo que todos querem, mas que nem sempre é possível. Em Ituporanga, uma senhora de 75 anos é exemplo de força de vontade e caridade. Mesmo com todas as limitações, ela visita semanalmente outros idosos que têm dificuldade de locomoção para cantar e fazer orações. Em razão da distância entre as casas, ela recebeu um presente da filha e agora conta com um triciclo para facilitar o deslocamento diariamente.

A ideia surgiu há 16 anos. Darci de Almeida Coelho, que sempre foi religiosa, devota de Nossa Senhora de Fátima, conta que começou a fazer visitas para alguns vizinhos doentes como forma de ajudar, e que certo dia, a idosa que visitava, reclamou de não poder ir até a igreja fazer suas orações e receber a hóstia. Após questionar sobre visitas de ministros da igreja, ela soube que os membros da comunidade não tinham tempo de exercer, além de todas as outras, mais uma função.

Foi nesse momento que ela decidiu ir além e fazer algo para ajudar. Imediatamente entrou em contato com o bispo que autorizou que ela desenvolvesse o trabalho e pediu que conversasse com outras autoridades para acertar os detalhes.

“Eu falei com o pároco e ele ficou feliz em saber da minha vontade e disse que eu precisava passar por uma orientação para poder fazer as visitas, pois eu não tinha nenhum curso. Esperei uma semana e fui orientada, então comecei. Os primeiros doentes eu fui atrás, mas depois eles iam contando uns para os outros e hoje eu visito doentes no bairro Gabiroba, Vila Nova, comunidades de Rio Batalha e Águas Negras”, comenta.

Dona Darci reside no bairro Santo Antônio e mesmo com toda a força de vontade, a idade já impõe limites, principalmente em relação à locomoção. No início ela ia até as casas a pé, mas depois de algum tempo, para facilitar o deslocamento ela foi presenteada pela filha com um triciclo elétrico.

“Antes eu fazia tudo caminhando, eram 18 doentes, mas agora vou com meu triciclo porque é muito longe para ir a pé, para ter noção tinha uma doente que era uma hora de viagem e eu ia uma vez por semana. Mas ainda assim é gratificante, já vi muitas graças acontecerem, doentes no fundo de uma cama que não tinham coragem para nada se recuperarem e agradecem até hoje. Eu não faço nada, mas levo o Santíssimo e essa é a parte mais importante, Ele realiza”, destaca.

Questionada sobre a quantidade de visitas feitas por semana, ela informa que fazia as pequenas celebrações e até cantava, em diversas casas e instituições e que a pandemia também prejudicou o trabalho. “No auge da pandemia, quando eu não podia ir, foi muito difícil. Estava com uns 50 doentes antes da pandemia, fazia 10 visitas em um dia, agora tenho uns 28 e faço só duas visitas por dia. Por algum tempo também visitava o Abrigo Mão Amiga, o Hospital Bom Jesus, todos os domingos, ia de quarto em quarto, visitava todos os doentes, inclusive na UTI, de segunda a domingo, todos os dias. Hoje eu estou feliz, porque mesmo aos poucos eu consegui voltar”, esclarece.

Maria Soares Souza tem 93 anos de idade e há três anos não consegue sair para ir até a igreja. Ela conta que as orações da dona Darci alegram a semana. “Pra mim é divino, algo muito santo que aconteceu na minha vida, porque na igreja eu não posso ir já faz três anos e assim ela vem aqui e traz o Santíssimo. É lindo o que ela faz”, avalia.

Para poder guardar em casa as hóstias consagradas, que na igreja católica representam o corpo de Cristo, dona Darci também teve uma ideia diferente. Em um dos quartos da casa pequena em que vive sozinha, ela construiu um santuário, com diversos rosários, livros católicos, imagens e Bíblia.

“Tenho um santuário aqui em casa, eu mesma construí. Foi difícil, mas eu consegui, uma vez até chegou a pegar fogo por conta de um curto circuito nas luzes, mas eu o reconstruí e agora está aqui. Muitas vezes eu não tenho forças, mas Deus anda sempre comigo e Ele me ajuda a seguir em frente”, finaliza.