Alto Vale, Destaque

Julieti P. Largura

A crise na economia já vem trazendo consequências para todo país há muito tempo, mas os reflexos são ainda mais negativos em municípios menores como é o caso de Trombudo Central, que deve perder mais de 100 postos de trabalho nos próximos meses. É que a multinacional Ingredion, empresa que trabalha no fornecimento de soluções em ingredientes para diversos segmentos industriais anunciou o fechamento da unidade que está previsto para o final do ano.

Apesar da Ingredion ainda não ter encerrado suas atividades e com a diretoria tentando minimizar o prejuízo, principalmente aos trabalhadores, funcionários já sofrem com o fechamento.
Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da empresa afirmou que o principal motivo é justamente a retração na economia e alegou que o fechamento faz parte de um processo de consolidação da estrutura no Brasil, por isso a produção de Trombudo Central deve ser transferida definitivamente para a cidade de Balsa Nova no Paraná.

“Essa consolidação de estrutura é resultado de contínua avaliação da Ingredion para maximizar a produtividade e eficiência de sua rede fabril e otimizar sua produção, gerando mais competitividade para enfrentar a situação econômica atual. No longo prazo, a Ingredion acredita que sua base de negócios e bom posicionamento no mercado preparam a empresa para uma futura retomada da economia”, informou em nota a assessoria.

E mesmo antes da mudança definitiva para outro estado, alguns funcionários já aceitaram ser transferidos para o Paraná para não perderem o emprego, além de outras regiões do país como São Paulo. No entanto, muitos não conseguirem se adaptar e acabaram se desligando da empresa e tendo que procurar vaga em outros setores.

Foi o caso de Naiara Apolinário que foi com o marido para Campo Largo no Paraná. Ela conta que a oportunidade de transferência surgiu antes mesmo do anúncio do fechamento da unidade de Trombudo Central, e que a proposta além de um salário mais alto ainda incluía outros benefícios financeiros. “No começo nós não iríamos, mas quando veio a notícia de que a empresa aqui iria fechar, decidimos ir porque ficamos com medo de ficar desempregados por conta da crise”, disse.

Mas a saudade da família e o custo de vida mais alto, fizeram o casal repensar o assunto e voltar para Trombudo Central. “Nós achávamos que lá o custo de vida seria o mesmo que aqui, mas nós já tínhamos a ideia de que não queríamos morar a vida toda lá, era pra fazer um pé de meia para poder voltar. Só que tudo começou a pesar, aqui eu trabalhava lá não, nós temos filho pequeno e eu não consegui creche. E começou a vir os custos, a gente vinha a cada 15 dias. Começamos a colocar na ponta do lápis e vimos que não estava valendo a pena, sem contar que o que mais pesou foi a distância das nossas famílias”, contou.

O marido de Naiara, que trabalhava de eletricista em Trombudo Central e mudou de função com o deslocamento, teve que se desligar da Ingredion e voltou para Trombudo Central. “Quando a gente percebeu que não conseguimos nos adaptar, nós fomos atrás de alguma oportunidade para voltar e conseguimos”, finalizou.

Sobre as transferências, a assessoria de imprensa da empresa informou através da nota que ao longo do processo de consolidação fabril, estão sendo geradas oportunidades de trabalho em outras fábricas da Ingredion no país e os funcionários de Trombudo Central que tiverem interesse poderão se candidatar a esses postos e participar do processo seletivo interno. “Até o momento, 14 funcionários já foram realocados em outras unidades. Aproximadamente 120 empregados continuam trabalhando na unidade de Trombudo Central”, informou a assessoria.

A empresa alegou ainda que estruturou um plano para minimizar os impactos causados com o fechamento da unidade no Alto Vale, que inclui até mesmo orientação para recolocação profissional oferecida aos funcionários. Disse ainda que também foi montada uma estrutura na cidade para oferecer um curso profissionalizante em Eletromecânica, com 500 horas de duração em parceria com o Senai, para aqueles funcionários que tem interesse em desenvolver uma segunda qualificação ou para algum dependente direto, que pode ser afetado com a perda do emprego. Atualmente 35 pessoas participam do curso, que deve ser concluído em outubro de 2016.