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Foto: Reprodução/Facebook - Idealizadores da ação beneficente e equipe responsável pela Renal Vida

Na terça (12), a Associação Renal Vida de Rio do Sul recebeu a visita de Jandir Mondini, o Neno, e Adir Marquez, idealizadores do evento “Encontro de Motos Renal Vida”, realizado no dia 2 deste mês. Na oportunidade foi entregue o valor de R$ 10.303,00, resultado do evento beneficente em prol da Renal Vida.

“Essa quantia será acrescentada à outras doações para aquisição de uma máquina de hemodiálise que custa R$ 55 mil”, enfatiza o diretor administrativo da Renal Vida, Leontino Ribeiro Neto.

Atual situação da Renal Vida

A entidade ainda enfrenta muitas dificuldades. Houve um atraso no pagamento referente às faturas de setembro e outubro, sendo que essas foram recebidas no dia 7 de dezembro através do Ministério da Saúde. “Neste dia estávamos fechando a fatura de novembro. Ficamos praticamente três meses sem receber um centavo”, comenta o diretor.

Segundo ele, o pagamento que é insuficiente para realização de diálises e que não cobre os serviços e despesas, ainda não é repassado à Renal pelo Ministério da Saúde. “Há um déficit mensal do extrateto, uma dívida do extrateto retroativa. Já é um pagamento insuficiente por custo e isso agravou com esses dois meses de atraso”, completa Leontino.

O setor financeiro da Associação teve que aderir a bancos para conseguir pagar o décimo terceiro salário, que será entregue dia 20, e custear algumas despesas. “Infelizmente não há perspectiva de receber o mês de novembro. A situação é grave. O prejuízo nós já arcamos, como a alta taxa de juros e fornecedores que ficaram sem pagamento.”

Segundo o diretor, a Renal Vida tem um contrato com a Secretaria Municipal de Saúde de Rio do Sul, e a mesma foi omissa em relação ao atraso. “Esse é nosso contrato! O dinheiro é federal mas passa pela prefeitura e ela nos repassa. Só que a prefeitura não nos perguntou se havia algum erro, nem nos deu esclarecimento do atraso. Nos disseram que o problema era do Ministério da Saúde. Como nós munícipes vamos entrar em um Ministério e exigir alguma coisa?”, questiona Leontino.

De acordo com a coordenadora administrativa da Associação, Raquel Mohr, o repasse de dezembro foi de cerca de R$ 649 mil. Valor que já estava comprometido com dívidas em bancos, folhas de pagamento e fechamento de contas. “Estamos com dívida ainda de 2016 de R$ 170 mil do extrateto, é só desgaste, todo ano”, desabafa o diretor.

A Renal Vida realiza cerca de 1,8 mil sessões de diálise e atende 150 pacientes, número que só aumenta, fora os internamentos e atendimento pelo SUS no ambulatório da Policlínica. Número este que já está acima do repasse que deveria ser recebido.

Outra dificuldade é o espaço físico que já está no limite. “Trabalhamos em três turnos de segunda à sábado e mesmo sem verba ninguém fica sem atendimento. Não há aumento no valor da diálise, temos que atender para pessoas não morrerem. Por sorte temos o apoio da comunidade. Um deles é o Call center, que nos ajuda mensalmente na conta de energia. Também atitudes do Rotary e Lions Club, ideia como essa dos motoqueiros, cavalgada entre outras ações. É assim que a gente vive”, relata.

O Call Center tem uma estimativa mensal de apoio, o que ajuda o setor financeiro em relação à investimentos e custeio, sendo que nesse mês foi usado todo o dinheiro e as economias foram zeradas.

Em entrevista com a secretária de Saúde, Sueli Terezinha de Oliveira, não há pendência no teto para hemodiálise. “Nós vimos que em novembro o Ministério Federal não repassou o valor que é destinado a hemodiálise, mas isto nos só repassamos. Vem do Ministério para nossa conta e nós repassamos pra Renal. Acreditamos que nessa semana esse valor entre na conta. Fora isso não temos nenhuma pendência com a hemodiálise”, declara Sueli.

De acordo com ela, a ação tomada foi um pedido feito aos prefeitos do Alto Vale, para que junto à secretaria de Rio do Sul se reunissem e encontrassem uma forma de resolver. Já que a hemodiálise está atendendo mais do que recebe pelo governo e os 30 pacientes a mais são de outros municípios. “O município em forma emergencial, está pagando há dois meses com os próprios recursos os pacientes excedentes para que eles não fiquem sem atendimento, apesar de não ser de responsabilidade nossa. E agora estou esperando um retorno de uma reunião para ver como nós podemos auxiliar a Renal Vida”, completa Sueli.

Elisiane Maciel