Alto Vale
Foto: Afubra

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Após um período de muitas tempestades com granizo, ventos fortes e chuva, agricultores estão na fase final da safra. Embora muitos tenham sofrido perdas consideráveis nas lavouras, a expectativa sempre é tentar vender bem o produto. Nesse sentido, entidades representativas dos produtores de tabaco e lideranças de empresas fumageiras reuniram-se para negociação de preço, mas até o momento não foram informadas definições concretas.

De acordo com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), os encontros são realizados individualmente com cada empresa, de maneira presencial e cumprindo com todos os protocolos sanitários, na sede da Afubra, em Santa Cruz do Sul/RS. As empresas fumageiras recebidas teriam sido: BAT (Souza Cruz), Philip Morris, JTI, Universal Leaf, Alliance One, China Brasil, CTA e Premium Tabacos. O primeiro encontro entre as entidades e as empresas fumageiras, referente à safra 2020/2021, foi realizado em 17 de dezembro, onde foram comparados os custos de produção. Devido às divergências na apuração dos custos, novos encontros teriam sido realizados nos dias 12 e 13 de janeiro. Nessa semana, além da negociação de preço, a pauta das reuniões abordou a política de estimativa do custo de produção de cada empresa, o cronograma de liberação dos valores para os integrados e assuntos gerais.

Quene Diel Correa e Antonio Carlos Correa são agricultores e moram em Chapadão do Lageado. Eles contam que para chegar até essa fase, a família já teve muito trabalho. ” É um serviço pesado, desde o início até a colheita e sem contar o medo de ter a roça destruída pelo granizo ou vento forte. O agricultor merece ter seu trabalho reconhecido, ter lucro com isso. Esperamos ter um bom retorno”, afirma Quene.

Além de todas as dificuldades enfrentadas em 2020, o ano de 2021 também começou com dificuldades. Em um  cenário de contraste, as mesmas lavouras que passaram por uma grande estiagem, foram atingidas agora pelas fortes chuvas, o que acaba dificultando a retirada das folhas que ainda estão nos pés e o transporte, visto que as estradas são prejudicadas.

Tabaco no Brasil

O cultivo de tabaco no Brasil tem como base as pequenas propriedades, em média com 13,7 hectares, sendo que destes, apenas 21% são dedicados à produção da folha. Apesar da pequena lavoura plantada, o cultivo representa 46,4% da renda familiar dos agricultores, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A área restante é reservada para culturas alternativas e de subsistência (32%), criações de animais e pastagens (23%), florestas nativas (15%) e reflorestamento (9%). Segundo a Afubra, 24,3% das famílias que produzem tabaco não possuem terra própria, ou seja, 35,5 mil famílias desenvolvem a cultura em regime de parceria ou arrendamento.

Ciente desse perfil, há décadas as indústrias de beneficiamento de tabaco incentivam os produtores a diversificar suas atividades, justamente para que não dependam exclusivamente de uma cultura. Por meio de atividades paralelas, os agricultores reduzem seus custos com a alimentação da família e de animais criados na propriedade, e aumentam a renda com a comercialização de excedentes de produção. É uma forma de melhorar a qualidade de vida das famílias e contribuir para que permaneçam no meio rural, reduzindo as chances de êxodo para os centros urbanos.