Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Após reclamações sobre as dificuldades na comercialização do tabaco, uma das culturas mais fortes do Alto Vale, as entidades que representam os produtores – Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Federações da Agricultura (Farsul e Faesc) e dos Trabalhadores Rurais (Fetag, Fetaesc e Fetaep) do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná emitiram uma nota alegando indignação e insatisfação com a venda do tabaco na safra 2020/2021.

No Alto Vale o cultivo é feito por mais de 12 mil famílias, mas o que já trouxe muitos lucros para a região parece estar perdendo o valor. Nesse sentido, a principal alegação seria em relação à rigidez mantida na hora da compra do produto. Isso teria prejudicado uma boa parte dos produtores. De acordo com nota emitida, desde o início da compra, as empresas fumageiras teriam empregado uma rigidez na classificação no momento da compra. A partir da primeira quinzena do mês de maio, quando 80% da safra já estava comercializada, as empresas teriam mudado a compra, valorizando as classes e aumentando o valor pago por quilo de tabaco.

“De forma alguma somos contra o produtor de tabaco ser bem remunerado pelo seu produto. Porém, não podemos aceitar as mudanças nas políticas de compra que, na safra atual, foram de uma grande rigidez para uma completa abertura de valorização, o que trouxe consideráveis prejuízos financeiros aos produtores que já haviam comercializado, em parte ou toda, a sua produção. Também enfatizamos a necessidade de, em todas as safras, a compra sempre ser dentro da classe e seguir um mesmo padrão de valor do início ao fim da comercialização, trazendo uma valorização justa e equilibrada para todos os produtores”, destacam as entidades.

Com relação a estas mudanças na comercialização, as entidades representativas dos fumicultores exigem que as empresas fumageiras revejam suas posições e estudem uma forma de bonificar os produtores prejudicados. As entidades dizem estar à disposição para negociar esta bonificação.
Em entrevista fornecida ao Jornal Diário do Alto Vale, em março de 2021, o fumicultor de Chapadão do Lageado, Gabriel Montibeller, disse que a família plantou quase 200 mil pés de fumo e reclamou do baixo percentual do reajuste. Além disso, ele afirmou que está se tornando difícil sustentar a família com esse rendimento e que pretendia diminuir a quantidade.

“Não adianta subir o preço das melhores classes e não classificar pelo que realmente é o fumo. Além disso tem o preço dos insumos, a gente faz o pedido e eles não tem o preço que vamos pagar. Há cinco anos atrás a gente já vendia fumo no preço que estamos vendendo hoje. Esse ano o que eu vejo é que muita gente vai parar de plantar fumo, nós vamos plantar 150 mil a menos e partir para outra cultura, porque o fumo não oferece mais condições para a gente se manter”, desabafou.

Na mesma data, no município de Ituporanga, que sofreu muito com a incidência de granizo, outra agricultora de Rio Bonito que preferiu não se identificar reclamou da dificuldade de comercialização. “Nosso fumo era bom e teve uma classificação inferior ao que valia. Fizemos 100 arrobas a mais do que no ano passado e R$22 mil a menos para se ter uma ideia”, ressaltou com indignação.

A reportagem entrou em contato com duas fumageiras que atuam na região para obter um posicionamento. Uma das empresas não quis se manifestar sobre o assunto e a outra não enviou nenhuma uma resposta até o fechamento da edição.