Alto Vale, Destaque

Reportagem Helena Marquardt/DAV

A manobra do piloto que passou debaixo de uma ponte durante um mutirão para limpeza do Rio Itajaí-Açu, no sábado, em Rio do Sul, ganhou repercussão nacional, mas outro fato acabou passando despercebido. Os carros também não tinham autorização para trafegarem dentro do rio, e mesmo que o intuito fosse recolher o lixo, a ação caracterizou crime ambiental. A atitude poderia ter trazido prejuízos à vida aquática e até causado contaminação da água se houvesse algum vazamento de óleo.

O biólogo, Silvio Murilo Cristóvão da Silva, que pesquisa o rio Itajai-Açu há mais de 20 anos, afirma que a proposta de recolhimento é boa, mas não foi colocada em prática da forma correta. “A intenção pode ser boa, mas além de estarem entrando dentro do rio e quem sabe poluindo mais num possível vazamento de óleo, eles precisaram acessar o rio pelas margens que são áreas de proteção permanente e não dá para ficar entrando de carro porque temos plantas endêmicas únicas na nossa mata ciliar que podem ser destruídas”, declarou.

O biólogo explicou, ainda, que além dos peixes o rio abriga outros tipos de vidas que podem ser prejudicados com o movimento dos carros dentro do rio. “Temos moluscos bem raros no rio Itajai-Açu que podem estar nesse local e os carros podem prejudicar todo o ambiente ali. Sempre defendi que temos que esperar a estiagem e fazer essa limpeza, mas de forma manual. Não podemos simplesmente entrar no rio de carro à vontade porque acaba sendo um mau exemplo. A lei não permite que se faça isso.”

Questionada sobre o assunto, a Assessoria de Imprensa declarou que a prefeitura de Rio do Sul soube informalmente sobre a atividade de limpeza do rio e, vendo a importância do movimento, envolveu Defesa Civil e outros voluntários no auxílio da retirada de lixo, entulho e galhos depositados no leito.

Em nota declarou ainda que a prefeitura não tem prerrogativa de autorização para atividades inerentes ao rio já que esta é uma competência do Estado e que o Instituto do Meio Ambiente (IMA) autorizou a retirada dos materiais, também entendendo a importância do fato e a oportunidade, visto que o nível da água está baixo.

Já o Instituto do Meio Ambiente, disse que foi contatado pela prefeitura e informou que não era necessário autorização para limpeza e desassoreamento do rio em trechos de menos que um quilômetro, mas que a entrada de carros é proibida e caracteriza crime ambiental. “Se entraram por acidente não é crime, mas se foi intencional é crime ambiental”, declarou a assessoria.