Alto Vale
Foto: Alan Garcia/DAV

Helena Marquardt e Rafaela Correa/DAV

Uma tragédia que jamais foi imaginada e que não seria retratada nem nos piores pesadelos. A chuva deixou um rastro de destruição no Alto Vale e marcou para sempre a história da região. A água arrastou carros, destruiu casas e levou muitas vidas. Presidente Getúlio, Ibirama e Rio do Sul foram as cidades mais atingidas e até a noite desta quinta-feira (17) já chegava a 14 o número de mortos e eram dezenas de pessoas desaparecidas.

Em Presidente Getúlio, cidade mais prejudicada pelo temporal, o bairro mais afetado foi o Revólver onde até a noite de ontem foram contabilizadas 13 mortes e onde o cenário era de filme de terror. No local, pessoas passaram o dia procurando familiares ou tentando salvar o que sobrou dos pertences. Outros moradores sequer sabiam por onde começar. A destruição foi tão grande que era difícil encontrar quem conseguisse segurar as lágrimas.

A dona de casa Veronica Suchara conta que acordou por acaso e já viu o seu carro sendo arrastado pela água. Ela diz que em poucos minutos a casa foi inundada e a família quase não conseguiu se salvar na enxurrada. “Estourou os vidros da casa. Eu querendo sair e não conseguia. Meu marido gritava, tentava me puxar e a água empurrava para trás. Ele teve que me puxar pelo pescoço para sair. Perdi tudo na minha casa”, lamenta.

Na cidade, segundo o Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden) o acumulado de chuva em 12 horas, foi de 121 milímetros, quando o previsto para todo o mês de dezembro é de 153 milímetros.

Como muitos moradores perderam as casas, o município instalou abrigos em diversos locais para receber as famílias. Campanhas de arrecadação de donativos também foram iniciadas e estão acontecendo em todo o Alto Vale. Além de mantimentos e roupas, o principal pedido é por água e produtos de higiene e limpeza.

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva chegou a anunciar um sobrevoo pela região, mas depois informou que em razão das condições do tempo isso não seria possível. Em um vídeo e declarou que fez contato com autoridades, regionais, estaduais e federais e garantiu que vai enviar recursos para a recuperação. “O Governo Federal nos garantiu assistência, recursos financeiros para recuperação das áreas atingidas, ao mesmo tempo em que Santa Catarina com a sua estrutura de Defesa Civil, operações aéreas e também nossas forças-tarefas do Corpo de Bombeiros já estão na região. A Defesa Civil está se instalando em Rio do Sul para coordenar os trabalhos na região. Tudo o que for preciso para socorrer a nossa gente, nós vamos fazer”, afirmou.

Enxurrada também causa morte e destruição em Ibirama

Com um dos piores cenários do Alto Vale, Ibirama ficou apenas com os rastros da destruição causados pela enxurrada. No município o temporal causou não apenas prejuízos, mas a morte de um homem, que foi arrastado pela correnteza. Como se não bastasse todos os momentos vividos pelos moradores, a população ainda precisa continuar em alerta para possibilidade de deslizamentos de terra.

Segundo informações repassadas pela assessoria de comunicação, o acumulado na cidade foi de 85,4 milímetros em 24 horas e equipes da Defesa Civil e Departamento de Engenharia da Prefeitura ainda estão fazendo os levantamentos para contabilizar os estragos, mas foram constatadas ocorrências em todos os bairros e localidades, porém, a região do Ribeirão das Pedras e bairro Areado teria sido a mais afetada.

A Prefeitura informou que está com toda a equipe da Secretaria de Obras e Serviços Urbanos fazendo a desobstrução de vias prejudicadas por escorregamentos de terra, como também, a limpeza das principais vias da cidade. O prefeito Adriano Poffo, deverá decretar situação de calamidade pública no município.

O coordenador Municipal de Defesa Civil, Fernando Jost, chama atenção para a possibilidade de escorregamentos de terra. “Os moradores devem estar atentos a qualquer movimentação de terra, inclinação de postes ou árvores ou rachaduras em imóveis. Nestes casos, entrar em contato com a Defesa Civil para que a ocorrência seja avaliada”, destacou.

O município possui dois abrigos e a intenção da prefeitura é dividir as famílias, já que algumas precisam estar isoladas em razão da covid. As estruturas foram montadas na Escola Municipal Christa Sedlacek e no Pavilhão de Eventos Rodolfo Kofke.

O telefone fixo e de emergência da Defesa Civil não está funcionando. Quem tiver passando por dificuldades deve entrar em contato através do número (47) 98838-5645.

Quem puder fazer doações deve procurar o Parque Municipal e Centro de Eventos Manoel Marchetti, na rua Marquês do Herval, 239 , no Centro de Ibirama.

Famílias ficam desabrigadas em Rio do Sul

Rio do Sul também foi outro município atingido no Alto Vale pelo temporal. A quinta-feira (17) começou com sentimento de tristeza para os moradores de vários bairros. Houve registros de alagamentos em várias ruas que tiveram a passagem impedida. Muitos moradores também perderam a casa e os pertences. Até o final da tarde desta quinta-feira eram oito famílias desabrigadas. A prefeitura decretou situação de emergência.

Desde a noite de quarta-feira (16), a Defesa Civil atendeu mais de 40 ocorrências por conta de alagamentos pontuais, além de ruas parcial ou totalmente interditadas. Entre os bairros mais atingidos do município estão, Valada São Paulo, no qual pelo menos três residências teriam sido destruídas pela enxurrada. Houve também pontos de alagamentos na Itoupava, Barra do Trombudo, o Loteamento Jardim Alexander, além do Centro.

Até à tarde de ontem, cinco ruas estavam interditadas, entre elas a ligação entre Rio do Sul e Lontras pelo bairro Bela Aliança. O motivo é que um trecho da via, que já havia deslizado no ano passado, não oferecia condições de passagem.

A prefeitura informou através da assessoria de comunicação, que há quatro abrigos disponíveis, sendo o Salão da Igreja do bairro Santa Rita, Salão da Comunidade Evangélica do bairro Bela Aliança, Salão da Igreja Católica do bairro Bela Aliança e o Pavilhão do Lions Clube, no bairro Progresso. Ao todo são 36 pessoas nesses locais. A orientação no momento é que em caso de emergências, seja acionada a Defesa Civil através do 199. Ainda de acordo com a assessoria de comunicação, os abrigados estão sendo orientados quanto ao uso de máscara, álcool para prevenção da covid-19 nos abrigos.

O momento é de comoção para toda a região e talvez o de maior necessidade para algumas pessoas, por isso, a Secretaria de Assistência Social de Rio do Sul é um ponto de recebimento de doações. A maior demanda é por produtos de higiene e limpeza, mantimentos, água, leite, pães ou bolachas, fraldas descartáveis infantis e geriátricas, roupas de todos os tamanhos, roupas de cama, cobertores, travesseiros e ração para os animais.

Chuva causa prejuízos em Aurora

No município de Aurora, a chuva forte trouxe prejuízos materiais. A Secretaria de Assistência Social em parceria com a Defesa Civil municipal está realizando o levantamento das famílias afetadas e identificando casas que sofreram com o alagamento. Segundo prefeito Alexsandro Kohl, os prejuízos devem passar de R$1 milhão. Ele ainda pede ajuda de quem possui trator para auxiliar na limpeza dos bueiros e estradas.

Ele declarou que o município está em estado de alerta e se necessário providenciará alojamentos provisórios, já que segundo a Secretaria de Assistência Social, a previsão ainda é de chuva. A orientação é que os munícipes fiquem atentos e solicitem ajuda pelo telefone 3524-0313.

“Graças a Deus só danos materiais, não foram vidas. Pedimos muita calma para a população, para que nos ajudem com os tratores agrícolas a desviar água, limpar bueiros porque estamos com duas retro, duas patrolas carregadeiras ajudando, mas sabemos que não vamos conseguir chegar a todos”, afirma.