Alto Vale, Saúde
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Cláudia Pletsch/DAV

A falta de medicamentos e insumos principalmente ligados aos kits de intubação que são utilizados para tratar pacientes com covid-19, vêm preocupando em todo o estado. Santa Catarina vive um dos piores momentos da pandemia, com hospitais superlotados, falta de profissionais da Saúde e pacientes aguardando leitos de UTI. Agora a falta de insumos para tratar dos internados e atender novos pacientes é a grande preocupação, por isso a Justiça pediu que o Governo se manifestasse quanto às ações que estão sendo tomadas para garantir a distribuição dos medicamentos aos hospitais. No Alto Vale o que preocupa os gestores dos três maiores hospitais é a dificuldade de compra e a elevação dos preços.

O diretor geral do Hospital Regional de Rio do Sul (HRAV), Siegfried Hildebrand, diz que a luta para conseguir fazer a compra é diária. “Temos dificuldades para conseguir os insumos. Hoje temos estoque para 30 dias de alguns medicamentos, outros 15 dias, outros 20 dias, mas temos muita dificuldade para aquisição das coisas, nosso setor de compras fica o dia todo em função de conseguir comprar. A gente faz um pedido de mil ou dois mil aí a firma diz que pode nos enviar 500 e a gente vai levando. Hoje com certeza absoluta não faltou nada para nenhum paciente mas eu estou sempre preocupado pois se daqui a 20 ou 30 dias os medicamentos não chegarem ou faltarem eu não sei o que fazer. Antes quando eu vinha para o hospital eu ia direto para minha sala, hoje vou direto ao departamento de compras para ver como está a situação para não deixar faltar nada aos pacientes”, relata.

Hildebrand ressalta ainda que o Hospital Regional está iniciando um estudo para a importação dos insumos para não depender apenas dos laboratórios do país. “É fato que todo dia é uma briga para conseguir, ontem por exemplo precisávamos de três mil unidades de um produto para o estoque, mas a empresa poderia fornecer apenas 125, e assim a gente vai levando pois pelo menos 125 nós conseguimos”, comenta.

Os preços também aumentaram. No Hospital Bom Jesus (HBJ) de Ituporanga a situação é muito parecida com a do Hospital Regional. De acordo com informações repassadas pela assessoria de imprensa ainda não faltam medicamentos e o estoque disponível é suficiente para mais 20 dias, da mesma forma que no HRAV a equipe concentra grandes esforços para conseguir fazer a compra e o que mais preocupa é a elevação nos valores.

A diretora do HBJ, Edelir Stupp, diz que a situação é preocupante e que a Unidade também está tentando fazer a importação. “Infelizmente no mercado brasileiro não se encontra para aquisição o kit de intubação e como alternativa o Hospital Bom Jesus está buscando junto com outros hospitais associados alternativas de importação dos mesmos em caráter de urgência, porém sem prazo para receber e sem saber qual o valor que será praticado. Todos os hospitais brasileiros estão nessa dificuldade de aquisição desse kit de intubação e é uma situação que pode se agravar nos próximos dias. O Hospital Bom Jesus permanece com estoque, se continuamos com a mesma demanda, para três semanas”, avalia.

De acordo com a administração do Hospital Doutor Waldomiro Coulatti de Ibirama, até o momento não houve falta de insumos e o estoque ainda guarda medicamentos para 10 dias, mas uma nova remessa está confirmada para chegar à unidade na próxima semana.

O presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Santa Catarina (Fehoesc), Giovani Nascimento, diz que a situação é alarmante mas garante que a entidade juntamente com a Secretaria de Saúde do Estado está fazendo o possível para auxiliar todos os hospitais. “Essa questão do kit de intubação e oxigênio é uma situação que preocupa mesmo porque a oferta desses medicamentos é menor do que a procura, mas a Secretaria de Saúde juntamente com a Federação dos Hospitais de Santa Catarina vêm monitorando os hospitais para que lá na frente a falta não seja tão forte. Hoje o olho do furacão está aqui em Santa Catarina principalmente e o Hospital Regional tem procurado os fornecedores. No caso do oxigênio o problema não está para quem tem os tanques de oxigênio e a rede instalada no hospital, mas sim para aqueles que precisam receber cilindros pois a demanda é muito grande”, avalia.

A maior dificuldade e preocupação ainda de acordo com Giovani é a falta de profissionais da Saúde. “Esse é outro problema gravíssimo, essa sempre foi a maior dificuldade de toda a pandemia, todos os profissionais já estão a serviço dos governos em hospitais, postos de saúde em convênios por isso o problema maior hoje mesmo é encontrar profissionais”, conta.

O presidente da Fehoesc é otimista para os próximos meses, mas faz um alerta para o feriado de Páscoa. “Os dias maiores de crise pelo menos aqui na nossa região a gente pensa que já estão passando. Pensamos que pela primeira quinzena de abril já devemos ter uma melhora na situação da saúde e fica aqui já a preocupação com o feriado de Páscoa que as famílias têm costume de se reunir, é tradição a gente sabe, mas já preocupa muito por isso a gente pede que a população tome os devidos cuidados na Páscoa. A partir de maio a pandemia não vai acabar, mas se tomarmos cuidado ela pode dar uma diminuída na curva e até os hospitais poderão tomar um fôlego e receber os pacientes de forma mais adequada”, finaliza.