Especial

Reportagem Rafaela Correa/DAV

Na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência a Escola de Educação Básica Paulo Zimmermann, em Rio do Sul, celebra 45 anos de atendimento especializado de alunos com deficiência intelectual e múltipla. O colégio foi pioneiro ao proporcionar inclusão desde 1975 quando esse tipo de ensino ainda nem era obrigatório e de lá para cá transformou a vida de centenas de pessoas.

O diretor, Jaison Benting, afirma que o Atendimento Educacional Especializado (AEE) oferecido de forma pioneira na instituição também inspirou outras escolas. “Nós fomos os primeiros da região e só depois outras escolas começaram a oferecer esse tipo de atendimento, que hoje está na lei e todos os colégios disponibilizam”, explica.

Hoje são aproximadamente 20 alunos atendidos no AEE, um atendimento que garante a inclusão desses estudantes em sala de aula. “A grande questão é a modificação que ocorreu com tempo, com a melhoria na legislação que é a inserção desses alunos não somente na educação especializada, mas também na sala de aula. Em outros tempos o atendimento se dava de forma específica, de acordo com cada necessidade. Hoje, existe essa educação especializada, que complementa a vivência na sala de aula, a interação com os colegas e a inclusão”, relata.

A professora Daniela Mirian Gonçalves Garcia trabalhou com educação especializada entre 1983 e 1990 e com cegos de baixa visão de 2002 a 2013. Ela conta que essa foi uma experiência importante para ela e para as crianças. “Nós atendíamos ali crianças de cinco meses, que foi a mais nova atendida por mim, até ensino médio. Havia todo um acompanhamento próprio da criança aprendendo a engatinhar, aprendendo a falar, dar os primeiros passos, teve todo um envolvimento, aquela aprendizagem gostosa. Eles tinham esse apoio, integração do ensino especial com o ensino fundamental. Havia toda uma troca de diálogos e conversas com os professores e a gente sempre procurava orientá-los, ensiná-los para que se saíssem bem nas salas de aula”, contou.

Daniela explica que as atividades eram direcionadas conforme a necessidade de cada um. “Por exemplo, alunos cegos faziam suas provas em braille, a gente transcrevia a tinta e entregava ao professor para que ele pudesse fazer a devida correção. Da mesma forma acontecia com os outros alunos, com outras necessidades. A gente viu essas crianças crescerem, se desenvolverem, irem para o ensino regular, fundamental, médio. Foi uma experiência maravilhosa, íamos trabalhar e nem sentíamos a hora passar”, afirmou.

Além de toda a convivência com os alunos, ela conta que os professores precisavam dar assistência também aos pais. “Nós tínhamos cuidados com os pais, conversávamos com eles para que não ficassem entristecidos com a situação. Sempre foi muito bom. A gente fazia também um atendimento às escolas, porque nem sempre eles estudavam no Paulo Zimmermann, estudavam em Lontras, Rio do Oeste, ou outra escola do município, então a gente escolhia um dia da semana e fazia visitas às escolas para conversar com os professores daquelas crianças para poder dar o devido encaminhamento”, finaliza.

Rosalina Pereira de Souza é mãe do estudante Elian de Souza, de 14 anos, que está no 9º ano. Ele é autista e frequenta a instituição desde o primeiro ano. Segundo ela, o colégio oferece vários benefícios ao filho como segundo professor e AEE. “Ele é muito bem atendido e não sofre preconceito, adora ir para lá. Como estuda à tarde, a gente dá o almoço dele mais cedo e aí vai esperar o transporte. Quando atrasa um pouquinho, ele fica ansioso, com medo de esquecerem. Quando não tem aula, ele fica triste. Eu não troco ele de colégio, moramos no bairro Santana é um pouco longe, mas eu prefiro deixar ele lá porque é um ótimo colégio”, esclarece.

A Daiane Mantoanelli, trabalha como assistente social em Blumenau, é conselheira nacional do direito das pessoas com deficiência- Conad e já passou pelo AEE. Ela possui deficiência visual e conta que foi no Paulo Zimmermann que deu início ao processo de reabilitação visual .“ Nós éramos de uma cidade do interior e meus pais tinham uma superproteção comigo. Esse era um aspecto muito delicado, porque eles tinham medo de me deixar sair para outra cidade, pegar ônibus e os profissionais foram fazendo todo esse trabalho também com a minha família. Como militante da pessoa com deficiência sempre vou defender a inclusão no ensino regular e o atendimento educacional especializado como suporte para o ambiente escolar. É muito importante relembrar esse momento de descoberta e contato com outras crianças”, finaliza.