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Foto: Rafaela Correa/DAV

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O Prêmio Nodgi Pellizzetti de incentivo à cultura de Rio do Sul, contempla, todos os anos, projetos do município para possibilitar a continuação dos trabalhos de diversos autores, que fazem da cidade um lugar melhor de várias formas. Através do prêmio, em 2021, as escritoras Iria Aparicio Kruger e Juliana Camargo Passig poderão continuar contando histórias para as crianças das escolas públicas e incentivando sonhos através da literatura.

Para que pudessem ser contempladas, as duas escritoras se uniram em um só projeto (Escritoras compartilham suas obras e incentivam a leitura em escolas públicas de Rio do Sul), com a proposta de dar palestras, contar histórias e doar suas obras. Iria Kruger, proprietária de uma livraria no centro da cidade, fala do carinho que tem pelas obras infantis e da emoção em poder oferecer palestras através do projeto para as crianças de Rio do Sul.

“Comecei a escrever há 10 anos e há cinco me inscrevo no Prêmio Nodgi Pellizzetti e com o prêmio desse ano fiquei muito feliz em poder participar das palestras. Nós vamos doar 120 livros e vamos dar palestras. Há alguns dias tivemos uma e foi emocionante. Foram mais de 100 crianças participando e foi gratificante olhar nos olhinhos delas e ver que eles estavam brilhando. Nos meus livros eu conto a história de duas meninas na fazenda, olhando os animais. Em outro falo de cuidados com o meio ambiente e quero, com isso, estimular que cada uma das crianças cuide da natureza, além disso, consigo recriar cenas que vivo com os meus netos e é maravilhoso”, ressalta.

Ela ainda destaca a importância do Prêmio e afirma que precisa haver uma continuidade. “Dois livros meus fazem parte do projeto, ‘Amor de Iria e Bia’ e ‘Heroi B’. Já foram várias palestras e a próxima será em maio. Tenho certeza que o prêmio não pode parar, porque ele incentiva que a gente continue escrevendo e isso precisa continuar para as próximas gerações. Porque com o valor que a gente ganha já podemos pensar em escrever o próximo, isso custa e é um valor alto. Com o prêmio é possível dar continuidade”, comenta.

Outra escritora que também faz parte do projeto é Juliana Camargo Passig. Ela explica que do livro “A Caixa Misteriosa”, que pertence ao projeto junto aos outros dois livros escritos por Iria Kruger, já foram doados 40 exemplares, bem como das outras obras, totalizando 120 unidades distribuídas. Sendo 60 para o Centro Educacional Sebastião Back e mais 60 para a Escola de Educação Básica João Custódio da Luz.

A primeira palestra foi realizada no dia 1º de abril, nos dois períodos. Dando continuidade ao projeto, no dia 11 também foi realizada uma palestra e, no mês de maio, há previsão para outra no período noturno, aberta para a comunidade, na Fundação Cultural de Rio do Sul.

“Meu primeiro livro surgiu na pandemia. Eu estava triste, era professora de Educação Infantil e pensei em uma forma de alcançar as minhas crianças e a contação de história é algo que alcança todas as idades, principalmente os menores. Um dia eu acordei, assisti a live de algumas amigas e quando acabei, escrevi a história do livro em meia hora. Foi uma inspiração divina, eu acredito muito nisso e quando me dei conta de que era algo meu fiquei feliz, mas não sabia o que fazer com a história. Levou um ano até eu publicar o livro, porque não sabia se devia mostrar para alguém. Os primeiros que ouviram a história foram os meus filhos, mas não falei que eu era a autora. Meu filho mais velho gostou e aí eu revelei que havia sido eu”, conta.

Ela ainda enfatiza a importância de descobrir um novo talento e poder permanecer nele. “Eu descobri, naquele momento, um dom que não sabia que tinha. Então, uma amiga minha sonhava em ser ilustradora de um livro, a Denise Moraes. Não sabíamos por onde começar, fizemos muitas reuniões até ficar pronta a ilustração e falamos com a Associação dos Escritores. Fui atrás de gráficas, orçamentos, tive ajuda do meu sobrinho Rafael que fez a diagramação para tirar o sonho do papel. É um trabalho em família, a realização de um sonho que não é só meu e o prêmio me ajudou nisso”, revela.

“Eu tinha medo, porque na infância fui colocada dentro de uma caixa e ainda tenho medo de escrever, mas supero essa limitação sempre. A proposta do livro é a minha história. Não permitir que ninguém nos coloque dentro da caixa com palavras ruins. Hoje, quando fizemos as palestras e as crianças vieram me abraçar, foi emocionante. Meu objetivo já foi alcançado. Cada exemplar que eu vendo é uma alegria porque penso no próximo livro, mas se perguntarem o meu propósito, já foi realizado, porque era um sair da caixa meu”, finaliza.