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Em 2020, o Valor de Produção Agropecuária (VPA) de Santa Catarina ficou em R$ 40,9 bilhões, o maior da história, superando o recorde anterior, alcançado em 2017. No ano passado, a agropecuária catarinense também bateu a melhor marca em relação à participação no valor de exportações do Estado: 70,2%.

O VPA de R$40,9 bilhões alcançado pelo Estado em 2020 é 21,1% superior ao de 2019, quando ficou em R$33,8 bilhões. Entre 2018 e o ano seguinte, o índice já havia registrado variação positiva de 8,7%. O aumento nos preços recebidos pelos produtores foi a principal razão do crescimento do VPA estadual nos dois períodos, com destaque para suínos, bovinos, leite e grãos.

Para alcançar o VPA histórico em 2020, Santa Catarina contou principalmente com a produção de suínos, que participou com 23% do total, de frangos (17,5%) e de leite (11,9%).

Em 2020 o agronegócio catarinense exportou US$5,7 bilhões, valor 6,7% menor do que em 2019 (US$6,1 bilhões). Apesar da redução no valor total das suas exportações, o setor agropecuário seguiu a trajetória de aumentar sua participação nas exportações de Santa Catarina, chegando a 2020 como responsável por mais de 70% do valor total exportado pelo Estado.

Mesmo com a expressiva queda de 2019 para 2020, a carne de frango segue como principal produto das exportações do agronegócio de Santa Catarina, representando 26,3% do valor exportado pelo setor.

Santa Catarina é o terceiro maior produtor de alho do país, respondendo por 11,78% da produção nacional. Na safra 2019/20, a produção catarinense foi de 16,4 mil toneladas, redução de 7,34% em relação ao ciclo anterior. A safra 2019/20 foi afetada pela ocorrência de estiagem, mas mesmo assim o volume produzido ficou dentro da média dos últimos anos, que tem oscilado entre 15 e 20 mil toneladas. Assim, os produtores de alho do Estado obtiveram bons resultados econômicos na safra 2019/20. A safra 20/21 está sendo colhida agora, com estimativa de produção de pouco mais de 15,5 mil toneladas.

A produção catarinense de arroz é a segunda maior do país, chegando na safra 2019/20 a 1.254.139 toneladas, o que representa 11% do total nacional. A produtividade média foi de 8,4 toneladas por hectare, o que representa um incremento de aproximadamente 9% em relação ao período agrícola anterior.

O arroz irrigado é produzido em 93 municípios catarinenses, concentrados no Litoral Sul (61,9%), Médio/Baixo Vale do Itajaí e Litoral Norte (25,2%), Alto Vale do Itajaí (9,04%) e Litoral Centro (3,9%). De janeiro a outubro do ano passado Santa Catarina exportou 47,9 mil toneladas, contra 6,1 mil toneladas exportadas em 2019.

Santa Catarina é o maior produtor nacional de cebola, cultivada basicamente por agricultores familiares, em pequenas áreas. Na safra 2019, a produção bruta colhida foi de 528.440 mil toneladas. A colheita da safra 2020/21 está ocorrendo normalmente, mas perdas causadas pela estiagem e outros eventos climáticos devem derrubar a produção em 25% em relação à safra anterior, finalizando em volume inferior a 400 mil toneladas.

A cultura do feijão foi menos produtiva na safra catarinense 2019/20, com 101.295 toneladas. Problemas climáticos, como estiagem próxima da época de colheita da primeira safra e durante toda segunda safra, reduziram o potencial produtivo das lavouras, acarretando num volume cerca de 2% menor do que na safra anterior.

Para a safra 2020/21, que está a campo, a expectativa é de aumento da produção com estimativa de alcançar 105.117t. Na safra 2019/20 Santa Catarina produziu 2.866.905 toneladas de milho. Para a safra 2020/21 a estimativa de produção, que era de 2,3 milhões de toneladas em dezembro, deve se reduzir em função da estiagem e da incidência da cigarrinha-do-milho no início de 2021.

Em 2020, a demanda total de milho grão em SC chegou a 7,37 milhões de toneladas, um incremento de 2% em relação ao ano anterior. Com a oferta de 2,58 milhões de toneladas, houve um deficit de 4,36 milhões de toneladas, atendido pelas importações interestaduais e de países como Paraguai e Argentina.

A Epagri/Cepa estima que as lavouras catarinenses produziram 2,24 milhões de toneladas de soja em 2020. Para a safra 2020/2021 a expectativa é de produzir 2.308.070t. O crescimento é impulsionado pelo aumento da área plantada.

Entre as safras de 2012/13 e 2019/20, foram incorporados cerca de 167 mil hectares para a produção da oleaginosa e a elevação da produção chegou próximo de um milhão de toneladas no período. Na safra 2020/21 o cultivo da soja deve ocupar uma área próxima a 700 mil hectares no Estado.
No território catarinense, a estimativa para a área plantada de tabaco na safra 2020/21 praticamente se manteve em relação à safra anterior, com apenas 0,4% de aumento. Em sentido oposto, estima-se uma redução de 5,6% na safra em relação à anterior em decorrência de eventos climáticos, como estiagem e granizo.

Entre 2013 e 2020 Santa Catarina observou queda da área plantada (-3,7% ao ano) e da produção (-2,4% ao ano).
Segundo estimativas da Epagri/Cepa, Santa Catarina deve produzir 149,4 mil toneladas de tomate na safra 2020/21, contra 139,9 mil toneladas produzidas em 2019/20.

Santa Catarina é o sétimo maior produtor de tomate no Brasil. Contribuiu, segundo dados da PAM/IBGE de 2019, com 4,5% da área total plantada e 4% da produção total nacional. Os municípios de Caçador e Lebon Régis são os maiores produtores do Estado.

Na safra 2019/20 o estado 154.774t e para este período agrícola espera-se 188.490t. No ciclo agrícola 2019/20, foi cultivada no estado uma área de aproximadamente 50,8 mil hectares, o que representa uma redução de 5,8% em relação à safra anterior. Mesmo com redução da área, a produção estadual cresceu 13,8%, resultado do incremento de 20,8% na produtividade média das lavouras. Para a safra 2020/21, é esperado um plantio de 64,5 mil hectares, o que representaria um crescimento de 26,9% em relação a 2019/20.

Segundo dados da Cidasc, em 31 de dezembro de 2020 o rebanho bovino catarinense era constituído por 4,51 milhões de cabeças, 3,91% abaixo da quantidade registrada no ano anterior. Dentre outros fatores, esse resultado tem relação com a significativa alta nos preços do boi gordo observada em 2020, o que estimulou o aumento no abate. No ano passado Santa Catarina abateu 827.794 cabeças de gado, contra 750.666 em 2019.
A mesorregião Oeste Catarinense (microrregiões de Chapecó, Joaçaba, São Miguel do Oeste, Xanxerê e Concórdia) foi responsável por 52,31% dos bovinos produzidos no ano de 2020, levando-se em consideração o abate inspecionado, o autoconsumo e o comércio interestadual. Quando são contabilizados somente os animais abatidos em estabelecimentos inspecionados, o Oeste Catarinense responde por 50,22%.

O preço de dezembro de 2020 pago aos pecuaristas catarinenses foi 27,17% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. Na comparação com fevereiro de 2019, a diferença é de 66,72%.

Em 2020, foram produzidos no Estado e destinados ao abate 848,31 milhões de frangos, segundo a Cidasc, alta de 0,7% em relação ao ano anterior. A mesorregião Oeste Catarinense foi responsável por 79,76% da produção catarinense em 2020, pequeno recuo em relação ao ano anterior, quando respondeu por 80,53%

Santa Catarina é o segundo maior exportador de carne de frango do país, tendo sido responsável por 25% das receitas brasileiras com esse produto em 2020. Por outro lado, ano passado a quantidade de carne de frango exportada pelo Estado caiu 24,05%, enquanto a variação das receitas foi de -32,17%.

Em 2020, 7.318 suinocultores catarinenses destinaram suínos para abate em estabelecimentos inspecionados, queda de 3% em relação ao ano anterior. Entre 2015 e 2020, o número de produtores caiu 15,57%, o que indica um processo de concentração em curso no setor, com produções cada vez maiores e um número decrescente de suinocultores. A mesorregião Oeste (microrregiões de Concórdia, Joaçaba, Chapecó, São Miguel do Oeste e Xanxerê) foi responsável por 79,40% dos animais produzidos em 2020.

Assim como observado no cenário nacional, as exportações catarinenses de carne suína também apresentaram crescimento significativo em 2020: foram embarcadas 523,39 mil toneladas, aumento de 25,63% em relação ao ano anterior, o que mantém Santa Catarina no topo do ranking de maiores exportadores da proteína do país. As receitas registraram incremento ainda mais expressivo: US$ 1,17 bilhão, alta de 35,30%. Tais resultados representam recordes históricos nas exportações de carne suína do estado, tanto em valor como em quantidade. Os bons resultados de 2020 devem-se, principalmente, ao crescimento dos embarques para a China. Em relação a 2019, as exportações para aquele país cresceram 70,32% em quantidade e 76,32% em valor.

A produção catarinense de moluscos na safra 2019 foi de 15.156t, valor 6,62% maior que no ano anterior. O aumento em 2019 foi impulsionado pela produção de ostras, com crescimento de 29,5%, enquanto a produção de mexilhões teve incremento de 2,4% em 2019.