Alto Vale

Reportagem: Gabriela Szenczuk

A estiagem em Santa Catarina, que afeta diversos setores econômicos e sociais no estado, já deixa municípios do Alto Vale do Itajaí em estado de alerta. Dos 28 municípios da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi), 16 deles são da Regional de Defesa Civil de Rio do Sul e 10 deles já decretaram ou tentaram decretar situação de emergência por conta da falta de chuva na região. Em Laurentino, Atalanta, Ituporanga e Petrolândia os decretos seguem em análise estadual. Imbuia teve seu decreto indeferido e não passou pela homologação do estado. Agrolândia, Aurora, Chapadão do Lageado, Rio do Oeste e Vidal Ramos tiveram decretos em níveis locais.
Até a manhã de quinta-feira (23) o nível de água do Rio Itajaí-Açú na ponte Dom Tito Buss, em Rio do Sul, estava a 0,61m e neste mês de abril o acumulado de chuva no município foi de 41,8mm sendo o último registro de 12,40mm entre os dias 13 e 14 de abril.

Estiagem em Agrolândia

Agrolândia foi uma das cidades que recentemente decretou o estado de emergência por conta da estiagem. A Defesa Civil da cidade informou que diversas famílias já estavam sem água no município e que desde novembro de 2019 o município sofre com a estiagem, mas em março deste ano a situação ficou crítica. “Disponibilizamos um caminhão pipa para atender as famílias que estão sofrendo com a estiagem. Atendemos 19 famílias para suprir a falta de água para consumo e também para pecuária, a base econômica da nossa região”, relata Evandro Marcos Morais, coordenador da Defesa Civil.
Além disso, a Defesa Civil de Agrolândia ainda informa que está trabalhando em sistema de plantão, diferente do resto da prefeitura que está com o horário reduzido. “Estamos tentando auxiliar essas famílias e quem precisar com prontidão e frequência”, conclui Evandro.

Comunidades interioranas sofrem

Segundo Fernando Jost, diretor da Defesa Civil de Ibirama, com os reservatórios da cidade e suas altas capacidades, ainda não há decreto de situação de emergência na cidade, embora a situação não esteja longe disso. Entretanto, as entidades responsáveis têm enfrentado problemas em localidades do interior onde não há tratamento de água da Casan. “O dano humano na área central da cidade ainda não foi constatado, ou seja, não tem falta de água nas torneiras das casas do Centro. O problema é no interior, pois lá a comunidade tem água de poço ou grota, e aí fica complicado.”
Ainda segundo Fernando, se o volume pluviométrico continuar baixo na região, como tem sido nos últimos dias, a tendência é que Ibirama também decrete situação de emergência.

Estiagem em SC

Segundo dados divulgados em videoconferência sobre estiagem realizada na quarta-feira (22) entre o secretário da Agricultura, Ricardo Gouvêa e pesquisadores da Epagri, o déficit de chuva no estado chega a 500 milímetros desde junho do ano passado até abril deste ano. Segundo o pesquisador da Ciram/Epagri, Guilherme Miranda, esta é a pior situação neste período desde 2006. “A estiagem do ano passado foi severa, mas não foi tão abrangente como está acontecendo este ano, principalmente nos meses de março e abril. Esta é uma das estiagens mais severas já registradas em Santa Catarina desde 1978 e outra em 2006”, disse.
Além do problema para abastecimento urbano e para os animais, a estiagem já causou uma quebra de 10% na safra de milho, 6,6% no feijão e 4,4% na soja no estado.