Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Os últimos meses não tem sido fáceis para os agricultores da região do Alto Vale. Não ter água nas torneiras para as atividades mais simples do dia a dia já é uma realidade em muitas cidades. Em Presidente Getúlio, por exemplo, os problemas causados pela seca estão cada vez mais perceptíveis e a prefeitura já precisa ajudar na abertura de poços para amenizar os efeitos, sobretudo nas propriedades rurais.

Além da falta de água para o consumo humano, muitos agricultores já estão enfrentando dificuldades para manter os animais. É o caso da propriedade de Artur Geiser. Por lá, todos os dias a prefeitura deixa 10 mil litros de água. “Nossas nascentes estão praticamente secas. Sem o auxílio da Prefeitura, não teríamos como dar água para nossos animais”, relata o agricultor que possui cerca de 100 cabeças de gado.

Para tentar encontrar água de forma natural, as máquinas do município estão trabalhando cada vez mais na abertura de poços e valas. O secretário de Agricultura, Ernesto Avancini, conta que muitos serviços já estão sendo realizados e que a demanda cresce significativamente a cada dia que passa sem chuva.

“Já foram abertos mais de 30 reservatórios nas últimas semanas. Hoje, por exemplo, já tivemos cinco chamados”, conta.

Para garantir o consumo aos animais, caminhões-pipa transportam água diariamente. O secretário de Obras, Lírio Censi, explica que por conta do atendimento aos agricultores, não podem destinar os caminhões pipas com frequência para molhar as estradas. “Sabemos que esta ação também é importante, mas agora, temos outras prioridades. Por isso, necessitamos da compreensão de todos”, pede.

Chuva abaixo da média

De acordo com o Boletim Hidrometeorológico Integrado lançado pela Secretaria Executiva de Meio Ambiente (Sema), integrada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE) e Defesa Civil de Santa Catarina (DCSC), todas as regiões do estado registraram chuvas abaixo da média histórica na primeira quinzena de fevereiro.

As maiores diferenças entre a média esperada e o volume registrado, ocorreram em alguns pontos entre o Litoral Sul e Planalto Sul e entre o Litoral Norte e o Planalto Norte. A diferença entre a média climatológica e o volume registrado no período ficou em torno de 220 a 260 mm.

Já no Litoral Norte, Baixo e Médio Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e parte do Litoral Sul as anomalias negativas ficaram entre 140 a 180 mm. Já na porção do Oeste aos Planaltos, as anomalias negativas ficaram entre 20 a 100 mm.

O Boletim também apresenta a classificação da estiagem que atinge o estado de acordo com o Índice Integrado de Seca (IIS), que leva em consideração tanto as condições dos rios, a água disponível no solo e o efeito da falta de chuva na vegetação.

De acordo com as informações do dia 14 de fevereiro, dos 295 municípios do Estado, apenas um se encontrava em Condição Normal diante da estiagem, 13 estavam na área de Seca Fraca, 90 em Seca Moderada, 158 em Seca Severa e 33 em Seca Extrema. Destes últimos, 32 estão na região Oeste que, apesar de ter registrado chuva na primeira quinzena de fevereiro, ainda segue com registro de efeitos negativos da falta de chuva acumulada ao longo dos últimos meses.

A expectativa agora é que depois do dia 26 de fevereiro até o dia 5 de março, haja uma mudança de padrão nas chuvas, que devem ocorrer de forma menos isolada, refletindo volumes maiores em todas as regiões, mas mesmo assim, o volume deve ficar abaixo da média, pelo menos até abril.