Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Gabriel Montibeller é um jovem agricultor de 24 anos que reside em Chapadão do Lageado. Ele e os pais plantam fumo e poucos dias antes do natal trabalhavam na colheita. Para pagar pelos serviços dos ajudantes, ele resolveu ir até o banco no município de Ituporanga, mas o que ele não sabia é que a partir daquele momento sua vida mudaria muito. No caminho ele sofreu um grave acidente com a moto que tinha e precisou amputar parte da perna. Além disso, ele sofreu diversos outros problemas que o fizeram permanecer por 30 dias no hospital. Os médicos trabalharam muito em sua recuperação e hoje, em casa, ele diz que só consegue agradecer pela nova oportunidade de viver.

Após a colisão entre um carro e motocicleta, Gabriel foi levado ao Hospital Bom Jesus em Ituporanga e passou por uma cirurgia de emergência, recebeu algumas bolsas de sangue e ficou por duas semanas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até ir para o quarto. Nesse período, ele conta que não tem lembranças, e que foi acordando aos poucos e o que muitos pensaram ser um choque para o jovem, já que uma de suas pernas foi em parte amputada, para ele representou um recomeço. “Quando os médicos me falaram do acidente, por tudo o que passei eu só consegui agradecer por estar vivo. E m momento algum eu pensei o pior, desde o momento em que eu voltei a ficar consciente, que me contaram do acidente e tudo o que passei, eu não pensei no pior, só pensei que eu precisava agradecer pela minha vida. Muito melhor assim, perdi uma perna, mas estou vivo e é isso que importa”, enfatiza.

Além da amputação de parte da perna esquerda, ele ainda teve outros sérios problemas nos braços, mãos e perna direita. “Eu tive na mesma perna amputada o fêmur quebrado, no braço esquerdo eu tive várias fraturas, na perna direita eu tive luxação no joelho, o osso para baixo do joelho também está quebrado e os tendões rompidos. No braço direito eu tive luxação no ombro também, na mão esquerda eu tive amputação do dedo anelar, em um dedo do pé também”, conta.

Em razão de todas essas complicações, Gabriel ainda vai precisar ficar em repouso por um longo período até conseguir se recuperar, mas mesmo assim está otimista. “A lição que eu tiro disso é que tudo o que acontece na vida da gente tem um motivo. Talvez hoje a gente não entenda, mas amanhã eu vou entender. Deus tem um propósito na vida da gente, do contrário isso não teria acontecido. Hoje eu me sinto forte, porque muitas pessoas, enfermeiros, bombeiros, médicos relatam que eles nunca me viram triste, sempre estava feliz, fazendo brincadeiras, piadas e eles sempre dizem que isso me ajudou na recuperação. Eu me vejo mais forte do que eu era. A minha visão mudou depois do acidente” completa.

Para Gabriel o acidente não foi o fim, e sim um recomeço, mas nem todos têm a mesma chance. Segundo informações divulgadas pelo Portal do Trânsito, o Brasil registrou de janeiro outubro de 2020 quase 28 mil indenizações pagar por acidentes fatais. O país estaria entre os 10 primeiros com maior número de mortes causadas por acidentes.

Ainda de acordo com o portal, no Brasil os que mais têm probabilidades de morrer em um acidente de trânsito são os homens jovens, condutores de motocicletas.