Alto Vale, Educação
Foto: Luis Fernando de Sousa

Cláudia Pletsch/DAV

Desde o início da pandemia surgiram muitos questionamentos quanto ao acesso aos meios de comunicação para que os estudantes pudessem fazer suas atividades de forma on-line, já que muitas crianças e adolescentes não possuem internet ou computadores em casa. Mas em meio a tantas dúvidas ainda é possível encontrar histórias que inspiram e que merecem ser compartilhadas. É o caso de Lívia Debroski, uma estudante de 16 anos de Ibirama que mostrou muita força de vontade para superar desafios e continuar aprendendo. Ela chegava a caminhar mais de 10 quilômetros por dia para fazer as atividades escolares.
A adolescente mora no interior da cidade, na localidade de Rio Sellin, a cerca de 18 quilômetros da escola e não possui acesso à internet, mas isso não foi um impedimento para que ela deixasse de estudar. Lívia começou a se deslocar até a casa de um vizinho que disponibilizava a conexão para que ela pudesse participar das aulas e fazer as pesquisas através do celular, que é único meio de comunicação que a estudante possui.
Ela conta que com o passar do tempo uma moradora mais próxima ficou sabendo da situação e cedeu a internet da própria residência para que ela pudesse fazer as atividades sem ter que ir para tão longe de casa. “A gente não tem condições de manter a internet, não cabe no nosso orçamento e primeiramente eu achava que a pandemia ia durar pouco tempo, mas aí a gente recebeu uma mensagem da escola dizendo que íamos começar a ter aula on-line, e que os alunos que não tinham acesso à internet poderiam pegar atividade impressa na escola. Mas para mim seria muito complicado, pois toda a semana eu teria que ir daqui da minha casa até a escola, que dá quase 20 quilômetros. Então eu pedi ajuda dos vizinhos para poder fazer on-line”, explica.
Lívia conta ainda que apesar de ter conseguido um local mais próximo de casa para fazer as atividades, ela ainda encontra dificuldades pois não possui o equipamento adequado. “O meu único problema ainda é que meu celular é um pouco antigo, então tem alguns aplicativos que a escola está utilizando que eu ainda não tenho acesso. A escola está tentando me ajudar emprestando um notebook, mas ainda não deu certo. A minha irmã menor estuda em outra escola e para ela também está sendo muito complicado, pois os acessos e aplicativos que ela utiliza eu não consigo entrar com meu celular, então estou tendo que me virar pedindo as atividades por whatsapp, ela está tendo ainda mais dificuldades do que eu”, explica.
A vizinha de Lívia, Meri Terezinha de Souza Rothenburg, conta que já passou por uma situação parecida quando o filho estudava e por isso decidiu colocar sua casa à disposição para ajudar nos estudos da menina. “Eu via a Lívia passar aqui as vezes abaixo de chuva, mas não sabia que ela precisava de internet, até que uma vizinha me contou e eu me prontifiquei a ajudar para que ela não precisasse ir tão longe. Eu também passei por isso, a minha maior dificuldade era que eu tinha que levar meu filho cerca de 22 quilômetros para que ele pudesse pegar internet para estudar, na nossa localidade aqui é muito ruim de internet, então é difícil para ter e o custo é um pouco alto” conta.
A diretora da escola Gertrud Aichinger, onde Lívia estuda, Thalita Fusinato, relata que apesar de todas as dificuldades a estudante está todas as atividades em dia e que admira a dedicação da aluna. “A Lívia manteve o rendimento que tinha na escola e é um exemplo de força de vontade. Essas histórias merecem ser compartilhadas, não para enaltecer instituições, mas para reconhecer o esforço e inspirar outros estudantes”, finaliza.