Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

No município de Petrolândia, uma família resolveu apostar em uma atividade diferente e que vem crescendo há mais de 20 anos. A criação de codorna iniciou em maio de 2001 com 300 aves e hoje já são mais de 84 mil. Os proprietários ainda pretendem ampliar o número.

O avicultor Vânio Deuttner, conta que nasceu em Petrolândia e foi criado na comunidade Rio Antinhas. Após a formação escolar ele foi cursar o técnico em agropecuária no Rio Grande do Sul, onde conheceu a esposa, Elena Deuttner. Ele explica ainda que a ideia surgiu porque havia visitado uma granja em Joinville e como o terreno possuía apenas 1,3 hectare, a atividade poderia ser uma solução pelo fato de não ocupar muito espaço.

“Foram anos de mudanças até perceber o que realmente queria, que era voltar a morar no sítio. Quando voltei do Rio Grande do Sul trabalhei na agricultura, mas não foi bom e como Joinville tinha muita oportunidade de emprego acabamos indo para lá. Trabalhamos lá por oito ou nove anos e resolvemos voltar para cá. Meu pai tinha um terreno pequeno que não estava usando, aí voltei com intuito de produzir leite de cabra. Montei um projeto, produzi leite de cabra por alguns anos, mas não teve futuro. Em maio de 2021 começamos com uma criação de codornas pequena, com 300 codornas, a gente foi trabalhando aos poucos e agora já são 20 anos trabalhando nesse ramo”, comenta.

A trajetória até encontrar o que realmente queriam foi longa e cheia de desafios, mas hoje o negócio cresce a cada dia e a propriedade já possui dois funcionários para suprir a produção diária de ovos que são vendidos para quatro fábricas que trabalham com conserva.

“Hoje estamos com 84 mil aves, mas estamos ampliando. A propriedade produz 609 quilos por dia e como um dos lotes estão entrando em postura devemos chegar a 750 quilos por dia. Sempre estamos trocando aves velhas por novas, pois ficam em postura por um ano daí temos que trocar por aves novas”, explica.

A rotina de trabalho na granja da família é corrida. Vânio conta que no período matutino eles começam colocando a ração e em seguida recolhem os ovos e embalam para o transporte até a fábrica. Após o almoço eles colocam a ração novamente, tiram o esterco, limpam as granjas e fazem a ração para utilização na propriedade. No fim do dia, as aves recebem a ração pela terceira vez.

Para facilitar as atividades, em setembro do ano passado, a família implantou robôs que substituem algumas tarefas que antes só poderiam ser feitas por uma pessoa. “Os robôs distribuem a ração para os animais e ainda levam os ovos através de uma esteira até uma das extremidades da granja. Da mesma forma tem outra correia que transporta os dejetos pra outra extremidade. Com isso ficou muito prático, não reduzimos a mão de obra, mas aumentamos a produção, ainda construímos um galpão com capacidade para alojar 110 mil aves quando lotada”, destaca.

Vânio ainda comenta que em 2017 pensou em desistir da atividade e começar outra, mas não conseguiu largar tudo por amor a profissão. “Eu faço o que gosto, faço por amor. Até pensei em mudar, mas acabei desistindo e por isso que automatizamos e ampliamos as granjas”, acrescenta.

Questionado sobre a queda nos rendimentos, ele ainda afirma que algumas pessoas que trabalhavam no segmento até fecharam suas granjas, já que os custos da produção são altos e o preço do ovo, in natura, está baixo. Além disso, ele comenta que a pandemia prejudicou a atividade, mas tem esperança que tudo melhore. “Muito tempo os restaurantes e lanchonetes fechados, não teve praia no verão passado, local e época que se vende muito. Esperamos que este ano comece a melhorar e talvez quem ficou na atividade poderá recuperar os prejuízos acumulados se as vendas reagirem”, finaliza.