Alto Vale

Reportagem: Gabriela Szenczuk/DAV

O casal Luene Netto e Doglas Albino, autônomos em Presidente Getúlio e pais de Maria Clara Albino, de 3 anos, já se preparava para as férias desde 2019. A ideia era fazer um passeio pelo Uruguai, Argentina e Chile entre os meses de fevereiro e março deste ano. Porém, a viagem ficou mais longa quando, na volta para casa a família se deparou com as fronteiras fechadas por conta da pandemia do coronavírus e agora vive um drama tentando retornar para o Alto Vale.
Luene conta que, no início de fevereiro, quando a viagem começou, a doença ainda não estava presente na América do Sul e, por isso, tranquilo, o casal decidiu seguir o roteiro e continuar com os planos de viagem. Porém, no mês de março, já no trajeto de retorno, o casal e a filha tiveram que permanecer em Futaleufú, cidade chilena que faz fronteira com a Argentina. “A gente viajou com a Hakuna Matata, como chamamos carinhosamente nossa Kombi, e costumávamos ter pouco contato com familiares, amigos e até com as notícias pela falta da internet. A ideia era visitar parques e áreas onde ficamos desconectados por alguns dias. E quando chegamos na cidade que faz fronteira com a Argentina, ficamos sabendo que o coronavírus já estava mais presente do que pensávamos”, diz Luene.
A família permanece na cidade fronteiriça com cerca de 2.000 habitantes. As autoridades policiais não permitiram que eles ficassem na Kombi e desde então eles seguem em um hostel de um casal de idosos chilenos que os acolhe. Porém, o casal conta que está passando dificuldades por lá. “Estamos nos mantendo como podemos. Não estávamos preparados para ficar tanto tempo, então nem roupas de inverno trouxemos, já que a ideia era voltar início de março. Está ficando cada vez mais frio aqui”, conta Luene.

Tentativas sem sucesso
Doglas, conta que a família já seguiu todas as orientações que lhes foram passadas para que conseguissem voltar para casa. Além de todos os registros e cadastros nos consulados do Chile, Brasil e Argentina ainda sem retorno, o Itamarati e o Secretário de Relações Exteriores do Estado também já estão ajudando no caso, mas ainda sem retorno ou sucesso. Além disso, o morador de Presidente Getúlio conta que há rumores de que a quarentena no Chile se estenda e as fronteiras permaneçam fechadas por mais dois meses. “Dois meses é muito tempo. Nós precisamos voltar para casa. Está muito frio, as coisas são muito caras e aqui é tudo muito escasso. Nós não temos mais o que fazer, já fizemos tudo que estava ao nosso alcance. A sensação de estar aqui é de fragilidade e impotência, pois estamos em um país totalmente diferente do nosso em todos aspectos. Estamos desmotivados”, conta Doglas.
Uma possibilidade que foi apontada ao casal para sair do Chile seria pegar um voo até o Brasil. Porém, o aeroporto mais próximo de Futaleufú fica em Santiago e, o deslocamento de uma cidade para outra é apenas através de balsas, que seguem sem funcionamento por conta das medidas de combate ao Covid-19.

Outros brasileiros presos
O casal ainda contou que, além deles, há mais um casal de idosos de Santa Catarina que eles sabem que também estão na mesma situação e alojados próximos à Futaleufú. Além disso, um grupo de cerca de 50 brasileiros também não consegue sair do Chile.