Agricultura

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Ainda recente no Brasil, a criação de algumas espécies silvestres em cativeiro. Como os catetos e queixadas que vem se mostrando uma ótima oportunidade para aqueles que têm coragem de inovar em uma atividade desenvolvida por poucos. É o caso de uma família de Rio do Sul. Eles trabalham há 12 anos com a venda de animais para matriz de forma totalmente legalizada e hoje é exemplo para criadores de todo o país.

No passado, Antonio Ropelatto, já foi caçador, quando a caça ainda era liberada, mas hoje ele resolveu se dedicar apenas à criação e proteção e ainda consegue renda com essa atividade. Ele conta que inicialmente a ideia era criar javalis, mas os planos foram alterados quando ele conheceu melhor os catetos e queixadas. “Eu era caçador, comecei a criar e hoje eu só preservo”, garante.

Atualmente já são mais de 100 animais vivendo num sítio do bairro Fundo Canoas, uma grande área verde que imita o habitat natural das espécies. O genro de Antonio, Jaison Caetano, ressalta que na propriedade tudo é pensado para garantir o bem estar dos filhotes e adultos. “A propriedade é um exemplo porque aqui eles vivem num ambiente que imita o habitat natural de cada um, como se estivessem no meio da mata”, relata.

A alimentação também segue cuidados rigorosos e é feita apenas com frutas e legumes frescos, entregues no sítio diariamente, além de um pouco de milho. “Claro que é trabalhoso porque eu busco no mercado diariamente e a comida que vem nunca pode ficar para outro dia”, completa.

Os animais são vendidos vivos, mas iniciar a criação em cativeiro não é tarefa para qualquer um, já que é necessário conseguir a autorização de diversos órgãos ambientais e cumprir uma série de exigências. “Desde que abrimos o criatório tivemos que encaminhar um projeto para o Ibama avaliar e autorizar, temos que ter um biólogo como responsável técnico, visitas regulares de veterinário para ver se está tudo certo, então é toda uma legislação rigorosa a cumprir. A Cidasc também nos faz visitas e acompanha a criação”, revela Cristiana Caetano Ropelatto, filha de Antonio que auxilia nos cuidados diários.

A identificação de cada um deles é obrigatória, mas pode ser feita de diversas formas. Em Rio do Sul, o diferencial é que a família decidiu fazer isso através de micro chips, do tamanho de um grão de arroz, que são implantados na camada superficial da pele e que fornece todas as informações sobre cada cateto e queixada. “O chip é quase invisível e pode ser lido facilmente com um aparelho que fica dentro de um bastão. Sempre que um animal é vendido tem que ter o atestado de um veterinário para ser feita a baixa”, lembra Antonio.

Apesar do abate não ser feito no local, quem tem a autorização ou já experimentou a carne das duas espécies garante que é muito saborosa e tem vários benefícios: tem baixo nível de colesterol, é uma carne magra e rica em proteínas.