Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

No Alto Vale boa parte dos agricultores plantam fumo, cebola e grãos. Em Chapadão do Lageado, uma família resolveu mudar o foco e deixou o cultivo do tabaco há três anos para iniciar a produção de ovos. Desde então, o sustento de seis pessoas é garantido com a venda de quase 1600 ovos por dia.

A ideia surgiu em 2010, quando Renato Momm terminou o curso de Técnico em Agropecuária e saiu do colégio agrícola, mas na época o projeto não foi realizado. Sete anos depois, a sua mãe resolveu fazer um curso de empreendedorismo voltado para mulheres e para concluir a capacitação seria necessário criar um plano de negócios, então pediu ajuda ao filho e nesse momento o projeto começou a ser tirado do papel.

“Foi onde despontou o interesse em dar andamento. O meu pai passou por uns problemas de saúde onde não poderia mais estar trabalhando em atividades mais pesadas e em julho de 2018 iniciamos com o primeiro alojamento de 500 aves. Nos associamos à Aesta, em Aurora, onde em forma de associação temos veterinário para atender as propriedades e um veterinário que acompanha a inspeção dos ovos”, conta Renato.
Apesar de hoje a produção ser maior e a venda mais fácil, ele lembra que no início a mudança foi difícil e todo o trabalho era feito aos poucos. “No início foi difícil entrar e fazer a venda nos mercados, então fomos vendendo a maioria de porta em porta e também pelas redes sociais, pelo Facebook e WhatsApp”, comenta.

No ano de 2019, uma normativa da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) previa que as granjas deveriam estar devidamente registradas junto ao órgão e foi após o registro que a produção começou a crescer de fato. “Isso fez com que muitos mercados abrissem as portas para o nosso produto e aí compramos mais 600 aves”.

Prevendo um aumento nos custos para o ano de 2021, no final do ano passado eles se associaram a uma cooperativa no município de Taió e essa parceria permitiu que a família participasse também de licitações.

Hoje a família de seis pessoas tira o sustento somente da produção dos ovos. Cada membro é responsável por uma parte do trabalho e a rotina é corrida para todos eles. “A rotina se resume a recolher os ovos quatro a cinco vezes ao dia, aí a gente limpa todos com palha de aço ou pano úmido e colocamos em bandejas de 30 unidades. Todas as segundas eles são levados para Aurora onde é inspecionado e embalado com rótulos. Nas terças e quartas-feiras são realizadas as entregas”, afirma.

Questionado sobre a troca do fumo pela criação de galinhas, ele afirma que em momento algum a família se arrependeu e que hoje já são 1300 aves no auge da produção e mais 500 que estão começando agora. “Até fim desse mês teremos uma produção diária entre 1600 e 1700 ovos. Hoje atendemos a merenda escolar de Chapadão do Lageado, Imbuia, Mirim Doce, Taió, Salete, Pomerode e Rio do Sul. Atentemos mercados, padarias, pizzarias e feirantes de todo o Alto Vale. Também participamos do projeto que vende sextas orgânicas em Florianópolis em parceira com produtores orgânicos. Então, a diferença é que na comercialização do fumo ou cebola o comprador vai até a propriedade e com os ovos nós vamos até o consumidor final”, destaca.

Renato ainda explica que toda a propriedade está à disposição das aves e que elas não vivem trancadas. “Temos uma área de sete mil metros quadrados destinados aos piquetes onde as aves expressam seu comportamento natural, ciscar, catar ciscos e consumir vegetação. Elas ficam soltas o dia todo com liberdade e construímos três galpões conforme orientação da Cidasc onde elas têm acesso à ração, água, ninhos e poleiros. As aves têm acesso ao alimento durante todo o dia conforme a necessidade de cada uma”, finaliza.