Estado
Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Todos os dias as pessoas acordam sem saber o que esperar, mesmo assim fazem planos para a próxima semana, para o amanhã e esquecem que alguns segundos podem mudar toda uma vida de sonhos, idealizações, família. Foi o que aconteceu há um ano com o cabo Jeferson Esmeraldino, em Criciúma e com o bombeiro Victor Rodrigues Cândido no Oeste de Santa Catarina. No final do dia 30 de novembro, bandidos assaltaram uma agência bancária no município e por tentar defender e capturá-los, o policial foi baleado. Já o bombeiro se deslocava para atender uma ocorrência quando uma caixa de frango atingiu sua cabeça. Muito tempo após o ocorrido, eles ainda lutam pela sobrevivência e as famílias pedem ajuda.

Sandra Aparecida Nunes é mãe de Esmeraldino. Ela conta que o estado de saúde dele é grave e que a recuperação é lenta e por isso a família precisou se adaptar a uma nova realidade.

“De lá para cá ele está lutando sempre, foi muito difícil porque o estado de saúde dele era grave e a gente está se adaptando a uma nova realidade. O tiro doeu na família toda, desestruturou a nossa família. Estamos na luta, buscando forças para continuar”, comenta.
Ela conta que a última vez que ouviu a voz do filho foi após ele ter sido desentubado, quando disse a ela que tudo daria certo. “Vai dar tudo certo, ora por mim, eu te amo”.

Depois disso ele passou por cirurgias, UTI e ainda está acamado, se alimentando apenas por sonda. Com todas as dificuldades de saúde, a família ainda passa por outras necessidades.

“Ele ganha ajuda do estado, mas temos muitos gastos e isso não é o suficiente. Ficamos dois meses em Florianópolis onde ele fez uma cirurgia para colocar uma válvula porque ele estava com hidrocefalia, havia possibilidade de melhora, mas ele teve febre dois dias depois e acabou ficando na UTI por mais 30 dias. Ele ganhou alta, mas quando chegou em casa ele piorou e precisamos levar até o hospital de Tubarão e foi constatada meningite, adquiriu uma bactéria e acabou tendo que operar novamente para retirar a válvula. Gastamos muito, mesmo com a ajuda que a gente recebeu de amigos tivemos que usar o dinheiro dele para ter onde dormir, comer e lavar as roupas. Além disso o meu marido ficou dois meses desempregado”, explica.

Quem quiser ajudar pode fazer doações em dinheiro através da chave PIX 96661178949.

“Hoje ele está acamado ainda, se alimenta por sonda, tem uma equipe que ajuda a movimentar e ele está tentando se recuperar. Agradeço às pessoas que não esqueceram dele e foi pelo povo, pela comunidade que ele deu a vida dele. Tenho orgulho de ser mãe dele porque ele honrou a farda e o compromisso”, completa.

Bombeiro atingido por caixa de frango busca justiça

Tudo começou em janeiro de 2020. O soldado do Corpo de Bombeiros, Victor Rodrigues Cândido, estava trabalhando quando a guarnição foi acionada para uma ocorrência de incêndio. A caminho do local, em São Domingos no Oeste Catarinense, a ambulância que dirigia encontrou um caminhão carregado de frango, uma caixa teria se desprendido da carga e acertado a cabeça dele.

A mãe, Reijanes Aparecida Rodrigues Pedro, conta que o filho sofreu traumatismo gravíssimo e foi encaminhado para Chapecó. “O cérebro começou a inchar e teve hidrocefalia, tiveram que colocar uma válvula na época, um processo de quatro meses. Essa válvula deu problema porque passou a sugar demais o líquido do crânio e ele ficou impossibilitado de progredir. Foi um processo bem lento até conseguir diagnosticar que o problema era devido a válvula. Ela foi trocada no início do ano”, comenta.

Depois da troca ele passou por várias situações difíceis relacionadas a sua saúde, passou por pneumonia, covid-19 e até convulsão. Apesar de o tratamento ser custeado pelo Estado, a família ainda busca ajuda para conseguir dar mais conforto para Victor.

“O tratamento é custeado pelo Estado, já passou por várias situações de pneumonia, covid, convulsão. Após recuperação de alguns problemas ele começou a se comunicar, fala algumas palavras, colocamos em uma clínica de reabilitação neurológica e ele tem feito tratamento fora do domicílio duas vezes por semana, onde vimos a necessidade de melhorar o transporte e o veículo que a gente usa hoje é pequeno e conseguimos organizar uma vaquinha onde muitas pessoas já ajudaram com doações, mas infelizmente não atingimos o valor necessário para adquirir um veículo PCD, mesmo com todos os descontos”, revela.

Reijanes afirma que a família já buscou ajuda no Estado para completar o valor para aquisição do carro, mas até então não conseguiram. Ela ainda afirma que ele está evoluindo e que já consegue se comunicar melhor, mas a falta de um veículo tem sido um grande problema.

“Muitas vezes ele pede para passear, mas a gente fica sem conseguir ajudá-lo, porque o transporte mal feito é algo cansativo para ele. Ele já sofreu muito e passa por isso porque foi salvar a vida de alguém que ele nem conhecia e infelizmente esse chamado de incêndio era um trote e saiu do trabalho só para sofrer o acidente”, destaca.

Questionada sobre o suposto trote, ela diz que a família não obteve resposta sobre o ocorrido, mas que continuam buscando justiça.
“Infelizmente outra situação que nos entristece é o processo criminal, até hoje o que aconteceu com meu filho não chegou na mão de autoridades, está parado, temos uma pessoa contratada para levar adiante, mas não saímos do chão e o que aconteceu com meu filho está impune, virou só mais um número e buscamos por justiça porque ele tinha muitos sonhos, fazia planos e hoje é tudo muito incerto. São quase dois anos do ocorrido e não tivemos resposta”, enfatiza.

Quem quiser ajudar a família do bombeiro pode fazer doações através da vaquinha on-line, no ID 2245039.