Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Em meio a tantas fontes de renda oriundas da agricultura, no Alto Vale algumas famílias trocaram o plantio de fumo e cebola, por exemplo, pelo cultivo de morangos em sistema semi-hidropônico, técnica que consiste na produção em sacos com substratos em bancadas afastadas do solo e que recebem água e nutrientes por fertirrigação. A técnica ganha cada vez mais adeptos.

Em Ituporanga, por exemplo, segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), cerca de nove famílias trabalham com o cultivo de morango através desse sistema. No Sítio de Sandra Castanha e Joel Leandro Eger, na localidade de Lageado Águas Negras, o que começou como curiosidade e complementação de renda, hoje se tornou fonte de renda única e proporciona novas possibilidades, transformando a propriedade em destino do turismo rural.

Sandra conta que ela e o marido Joel plantavam fumo e cebola e que chegaram a plantar algumas hortaliças, mas não tiveram bons resultados. “Aqui na propriedade sempre foi plantado fumo e cebola. O meu marido Joel sempre quis testar coisas novas, a gente tentou hortaliças e não tivemos resultados muitos positivos. Depois ele teve a idéia dos morangos, a princípio como uma segunda fonte de renda para não depender só de uma cultura, aí a gente começou a primeira safra em 2016, já iniciamos com dois mil pés de morango. Nessa safra até produziu um pouco, mas não foi muito, acabaram morrendo vários pés, até porque nós não tínhamos experiência, mesmo buscando informação, era pouco conhecimento”, avalia.

Ela comenta ainda que chegaram a pensar em desistir, porque no primeiro ano o lucro não foi muito significativo e o investimento havia sido alto. “O primeiro ano a gente quase desistiu, porque não deu muito lucro, até porque o investimento era alto, aí chegou o pico de produção no final de ano e nós tínhamos o fumo, e o morango acabava ficando de lado porque não conseguíamos conciliar”, afirma.

Mesmo com o pouco lucro da primeira safra, eles continuaram e buscaram mais conhecimento para aplicar no cultivo. Hoje, a caminho da quinta safra, os morangos são a única fonte de renda da propriedade. “A gente acabou buscando mais conhecimento na Epagri, que fica bem próximo da nossa casa. A Epagri também começou com experiência em morangos, e acabou ajudando muito. Aí fomos melhorando de safra em safra, cada vez produzindo mais, teve ano que chegamos próximo a um quilo de produção por pé e esse ano aumentamos os morangos porque há cada vez mais procura. Paramos com o fumo”, revela. Sandra explica que no início vendiam para mercados e para pessoas que buscavam diretamente na propriedade, mas como os valores pagos pelos supermercados não valiam a pena, pararam com a distribuição para revenda. “Tivemos a oportunidade de fornecer para a merenda escolar do município, onde eles pagam um valor muito bom e os produtos chegam até as crianças. Vendemos também geléias artesanais e congelados para suco”, conta.

Projetos para o futuro

A ampliação da renda já é um sonho prestes a ser realizado. A propriedade Sítio Eger fará parte de roteiro turístico e o casal já tem projetos em andamento. “Devido à construção da Santa, a nossa cidade vai ter vários pontos turísticos com ajuda da Associação dos municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi), Epagri e Prefeitura nós vamos fazer parte desse roteiro. No momento estamos melhorando a propriedade, plantando outras frutas para que as pessoas possam chegar e ter um espaço mais aconchegante. Temos também o ‘Colhe e Pague’, ainda é recente o projeto, mas já estamos divulgando para as famílias que quiserem vir conhecer e poder colher seu próprio morango, degustar as geleias e acabam pagando somente o que colherem”, finaliza.

Estudos e vantagens

De acordo com a Epagri, o cultivo semi-hidropônico iniciou na região há aproximadamente cinco anos e hoje diversos estudos e projetos já foram feitos e continuam em andamento. “O projeto atual inclui o estudo da adaptação de cultivares de dias curtos Pircinque e Jônica que são de origem italiana e o cultivar Camarosa de origem norte-americana. No mesmo projeto se está estudando a adaptação de cultivares de dias neutros San Andreas e Albion de origem americana, bem como o manejo nutricional com o uso de subdoses de zinco, boro e boro+zinco, com vistas ao aumento de produtividade e qualidade dos frutos. O estudo da qualidade dos frutos relaciona-se a verificar o teor de açúcares, a acidez, o teor de vitamina c, de atividade antioxidante, flavanoides, antocianinas e fenóis”, destaca Francisco Olmar Gervini de Menezes Junior, engenheiro Agrônomo e pesquisador da Epagri.

Ainda de acordo com a Epagri, na região os produtores plantam entre seis mil e 12 mil pés e é comum produzir um quilo por planta, ou seja, entre seis e 12 mil toneladas e o preço que o produtor recebe por quilo de morango semi-hidropônico é de cerca de R$15. Quando selecionado o preço pode chegar a R$ 25 em algumas cidades.  “O retorno do investimento da atividade ocorre em aproximadamente um ano e meio. Outra vantagem é que pode ser colhido de pé, e como é cultivado distante do solo, a possibilidade de contaminação microbiológica é menor, bem como a incidência de doenças e pragas”, completa.