Cidade
Última foto da família tirada em fevereiro de 2020

Cláudia Pletsch/DAV

A vacina contra a covid-19 é a esperança de muitas famílias que ficaram separadas durante todo o ano de 2020 e que agora veem na imunização uma oportunidade de poder visitar os familiares que moram em outras cidades. É o caso de Roberta Dolzan que mora em Palhoça e conta os dias para poder reencontrar a avó Elisabeth dos Santos, de 93 anos, que mora no bairro Canoas em Rio do Sul.

A rio-sulense, que atualmente reside no litoral catarinense, conta que a última vez em que viu a avó foi em março do ano passado quando visitou Rio do Sul, mas desde então para tentar matar a saudade as ligações através de chamadas de vídeo têm sido o único consolo para as famílias que eram acostumadas a passar todas as datas comemorativas juntas. “Desde que eu me conheço por gente ela passa o Natal e os verões conosco, só que no ano passado foi diferente. Por conta da pandemia não pudemos nos ver desde março. Desde que meu filho nasceu há cinco anos ela acompanha de perto o crescimento dele, ele é muito apegado na bisa então pra nós é muito difícil passar tanto tempo longe dela e para ela muito mais”, explica.

Roberta comenta que a avó tem boa saúde, mas que arriscar fazer uma viagem para visitá-la não seria recomendado já que por conta da idade ela faz parte do grupo de risco para a doença, por isso a família não se reuniu, o que ela define como um ato de amor ainda maior do que se tivessem se encontrado. “A gente não pegou a doença mas o nosso medo é ir, ser assintomático ou algo assim e acabar passando para ela. As vezes meu primo que cuida dela me manda uma mensagem e diz ‘Hoje a vó chorou o dia inteiro de saudades de vocês’, aí a gente liga para tentar matar a saudade, são três vezes na semana que a gente se liga e se fala, mas é difícil não ter contato físico, é bem doloroso”, conta.

As lembranças de infância também eram revividas sempre que a família visitava Rio do Sul e Roberta conta que esse também é um dos motivos que espera com ansiedade e torce para que a vacina possa fornecer segurança para um abraço. “A minha avó vive hoje na casa onde ela mora desde criança então a casa é um apego nosso de infância. Meu filho que é pequeno gosta de visitar pois é um momento que ele também tem essa conexão. Agora mesmo ele está dizendo que não vê a hora de poder sair de casa para viajar para a casa da bisa e jogar bola”, conta.

Para poder visitar a família em segurança Roberta diz que espera ansiosamente pela vacina contra a covid-19 e ressalta que acompanha diariamente as notícias de toda a região para saber o momento exato em que dona Elisabeth poderá ser vacinada, e assim acabar com uma espera de quase um ano. “Mesmo se a gente não puder se encontrar logo após a vacina a gente vai poder se ver pessoalmente, realmente ver se ela está bem, por isso ficamos atentos a todas as notícias da região para ver se tem alguma novidade e quando que ela poderá receber a imunização”, finaliza.

Roberta e a avó em chamada de vídeo