Alto Vale
Foto: Crislene Roberta/ Divulgação

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Depois de quase três semanas da enxurrada que atingiu Presidente Getúlio, destruiu boa parte da cidade e deixou 18 mortos, o início do ano ainda não pode ser uma fase de reconstrução e retomada da rotina. No município o foco continua sendo a retirada de entulhos para garantir o acesso às comunidades.

O vice-prefeito José Adálcio Krieger explica que ainda há muito entulho a ser recolhido. “Ainda estamos na fase de limpeza. Num primeiro momento priorizamos as ruas centrais da cidade para que o nosso comércio tivesse condição de abrir as portas e movimentar a economia. Focamos na limpeza das instituições públicas como por exemplo postos de saúde que foram todos foram atingidos, mas que agora estão funcionando, mesmo que parcialmente. Temos apenas o posto do Niterói com problema por falta de equipamentos como aquisição de computadores e mobiliário que tivemos que comprar tudo novo. Já o mobiliário e equipamentos dos CEIS terá que ser todo adquirido novo porque não sobrou nada”, esclareceu.

José Adálcio afirma que o trabalho incessante continua e que ao todo será preciso reconstruir mais de 50 pontes na cidade para dar acesso a todas as comunidades, sem contar bueiros, galerias e outras estruturas levadas pela enxurrada.

Um levantamento inicial havia apontado um prejuízo público de R$ 14,2 milhões, valor que já foi liberado pela Defesa Civil Nacional e já está na conta do município para obras que contemplam 69 itens. No entanto, um segundo levantamento apontou mais R$ 7,4 milhões de prejuízo que inicialmente não haviam sido calculados, o que representa um total de R$ 21,6 milhões.

“Num primeiro momento nossa equipe técnica não conseguiu acesso a todos os pontos para fazer o levantamento, até porque a maioria das estradas ficou sem acesso em função de barreiras e pontes destruídas, então se calculou apenas aqueles R$ 14,2 milhões. Depois conseguimos chegar a todos os locais e ter a noção mais real do que terá que ser reconstruído, então esse prejuízo aumentou. O valor inicial foi liberado, mas a segunda quantia ainda está sob análise e não temos nem previsão de quando e se será aprovada para fazermos as obras tão necessárias de recuperação”, completa.

“Felicidade e gratidão por estar vivo”, diz morador

Com a enxurrada centenas de moradores perderam tudo, mas diante de tantas mortes, os bens materiais levados pela água acabaram sendo irrelevantes para quem sobreviveu e não perdeu nenhum familiar. Esse é o sentimento do autônomo Marcelo Sardagna que vivia com a família no bairro Revólver, um dos mais atingidos. “Desde então não consegui derramar nenhuma lágrima. O sentimento é de felicidade e gratidão por estar vivo. Ficamos presos no sótão aqui em casa, mas ninguém foi levado pela enxurrada. Perdemos bens materiais, mas muitos conhecidos e vizinhos perderam a vida”, avalia.

Ele conta que nesse momento está vivendo com a família na casa de uma tia e que o pai e mãe buscam se reerguer após a tragédia. Por sorte a casa poderá ser habitada novamente, mas eles precisaram contar com a solidariedade da comunidade para arrecadar móveis e utensílios. “Ainda estamos na minha tia, mas aos poucos voltamos a trabalhar e vamos nos organizar com calma para poder voltar para casa, que teve algumas rachaduras, mas ainda terá condições de morar”, finaliza.