Alto Vale
Foto: Luana Abreu/DAV

 

Luana Abreu

 

O fechamento do Hospital de Aurora ainda gera polêmica no município. A instituição encerrou suas atividades em 2014 e o motivo divide opiniões. De um lado, a atual administração afirma que a dívida deixada pela antiga gestão é o principal impasse para que a estrutura volte a atender a população. De outro, a antiga diretoria alega a situação da estrutura, que foi atingida pela enchente de 2011 e a falta de equipamentos.

 

Atualmente, os serviços de saúde ofertados no município ocorrem no período das 07h às 19h. Serviços de urgência e emergência e algumas especialidades médicas como Obstetrícia, Ortopedia e Neonatologia são realizados no Hospital Bom Jesus, em Ituporanga e no Hospital Regional Alto Vale, em Rio do Sul. Somente para o HBJ, a administração municipal faz um repasse mensal de aproximadamente R$ 35 mil, recurso que seria suficiente para manter uma equipe de atendimento composta por médico, enfermeiro e técnico de enfermagem atendendo na antiga unidade.

 

O então presidente do hospital, na época em que foi encerrado o atendimento à população, e atual vereador Antônio Marcos Neckel (PP) afirmou que os problemas iniciaram em 2011, depois que a unidade hospitalar foi atingida pela enchente. Ele destaca que quando as águas baixaram a administração teve dificuldades para conseguir alvarás da Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros, por conta da situação da estrutura que ficou precária.

 

A falta de equipamentos para a realização de exames e outros procedimentos médicos também foi citada pelo então presidente. ”Os únicos equipamentos que tínhamos disponíveis aqui eram o desfibrilador e o nebulizador. Quando não era possível realizar o atendimento com esses equipamentos, tínhamos dificuldades de transferir os pacientes para outros hospitais como o Regional e o HBJ. Optamos pelo fechamento para evitar esses problemas”, explicou.

 

Já de acordo com prefeito, Alexsandro Kohl (MDB), o Xandão, a dívida deixada na época foi de cerca de R$ 5,7 milhões e cresce a cada dia com a cobrança de juros e multas por parte de credores. “Hoje é praticamente impossível reabrir o hospital. Como vamos pagar uma dívida que ultrapassa os R$ 6 milhões? Seria mais fácil construirmos uma nova unidade do que reativar a antiga”, afirma. Sobre a situação da dívida, o prefeito explicou que pretende buscar recursos federais com a intenção de regularizar a situação.

 

Antônio Marcos Neckel explicou que a decisão de fechar o hospital foi difícil, mas que logo depois, a administração municipal construiu uma unidade básica de saúde para que os atendimentos disponíveis a partir de então, pudessem ser realizados com mais qualidade.” Mesmo sem hospital, nós éramos referência na região. Muitos prefeitos de cidades vizinhas vinham nos visitar para ver como as coisas funcionavam aqui e pegar exemplos para aplicar nos seus municípios”.
Ele disse ainda que na época da campanha o atual prefeito assumiu o compromisso de reabrir o hospital mesmo sabendo de que não haveria possibilidade pra que isso ocorresse.

 

Comunidade

 

Neckel afirma que a comunidade foi informada através de veículos de comunicação como o rádio e televisão sobre o fechamento do hospital. A informação foi negada pela aposentada Etla Herbst. “Ninguém foi informado de nada. De um dia para o outro os atendimentos pararam de ser feitos e o hospital amanheceu de portas fechadas”, conta.

 

Ela lembra ainda que logo depois das cheias de 2011 a comunidade se organizou, e um aipim com galinha foi promovido para levantar recursos que foram destinados ao hospital para que ele pudesse voltar a atender.

 

O auxiliar de produção, Nelson Vermolhem, que sofre de arritmia cardíaca, também lamentou o fechamento do hospital. Ele diz que utilizou por diversas vezes os serviços médicos do local. “O atendimento era muito bom. Depois que fechou, fui levado muitas vezes pelo SAMU para Ituporanga e também para o Hospital Regional, mas demora muito tempo para que alguém venha me consultar.”