Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Apesar da preocupação de toda a população e autoridades com o coronavírus, outras doenças também preocupam na região. Um levantamento da Gerência Regional de Saúde aponta que o número de focos do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, Zyca e Chikungunya passou de 27 para 37 em relação ao mesmo período do ano passado, um crescimento de cerca de 37,37%.

Os dados são referentes ao dia 1º de janeiro até 15 de junho e apontam que pelo menos nove cidades já tiveram focos registrados em 2020. No topo do ranking está Rio do Sul com 25 dos 37 casos. A cidade conta com 401 armadilhas colocadas em pontos estratégicos e são monitoradas com frequência por sete agentes, mas o trabalho continuo não tem tido resultado sem a ajuda da comunidade.

O coordenador da equipe de combate as endemias, Jaison Marcelo Domingos, ressalta que falta conscientização apesar de toda a orientação. “O nosso trabalho não para e monitoramos diariamente. Até o ano passado também fazíamos um trabalho nas escolas que neste ano não pode ser mais realizado por causa da pandemia. Mas temos uma grande preocupação com esse aumento dos focos já que ainda estamos na metade do ano. É um período que muitas pessoas estão em casa e poderiam ajudar a eliminar um possível criadouro, mas não é o que acontece”, comenta.

Já Ituporanga teve três focos, Lontras e Trombudo Central dois focos e Salete, Pouso Redondo, Petrolândia, José Boiteux e Aurora tiveram um foco, um aumento que segundo a enfermeira da Vigilância Epidemiológica da Regional de Saúde, Valéria Petris, é bastante significativo e preocupante. “Na verdade a gente teve um aumento importante dos focos de Aedes Aegypti em todo o estado de Santa Catarina, mas chama atenção o aumento em toda a nossa região. Precisamos que as pessoas se conscientizem da importância de evitar criadouros, o mosquito só se desenvolve se encontrar um local apropriado, que são desde pequenos entulhos até caixas ou outros depósitos de água. Este ano já encontramos focos em bromélias e potes plásticos por exemplo”, revela .

Ela esclarece que o aumento do número de focos também reflete no número de casos de dengue que aumentaram mais de 200% no estado neste ano. “Em 2019 até inicio de junho eram 4.662 casos de dengue. Neste mesmo período em 2020 já são 13.974”, completa.
Mesmo com muitos problemas causados pelo coronavírus a orientação para a população é não esquecer medidas simples que podem combater outras doenças causadas pelo mosquito. “Vivemos em tempos de pandemia, mas não podemos esquecer que doenças como dengue também matam e seria importante que todos lembrassem de verificar em suas residências e eliminar qualquer possível criadouro para o mosquito Aedes Aegypti. Mesmo no inverno os cuidados devem ser mantidos, visto que o ovo do mosquito pode permanecer vivo no recipiente”, finaliza.