Alto Vale
Foto: Divulgação

Helena Marquardt/DAV

Dagma Fachini, de 60 anos, foi uma das milhares de vítimas da Covid em Santa Catarina e a partida precoce, no dia 13 de setembro, causou dor e sofrimento a todos os seus familiares e amigos. Ela foi sepultada no cemitério luterano em Ibirama, mas há poucos dias o furto das letras e símbolos de metal do seu e de outros quase 150 túmulos, causou ainda mais dor e revolta aos familiares.

A filha Luana Lemke, conta que o irmão ia até o local quase que diariamente para visitar o túmulo da mãe, e certo dia percebeu que criminosos haviam furtado o nome, as datas de nascimento e falecimento e uma cruz. Na lápide apenas a foto ficou intacta. Após o crime a família chegou a registrar um Boletim de Ocorrência, mas ainda espera que os criminosos sejam identificados e punidos. “Vamos aguardar as investigações. Esperamos que os responsáveis sejam identificados. Pensamos que com verificação de câmeras no município seja possível esse reconhecimento. Se tem alguém furtando, deve ter alguém comprando e isso precisa ser apurado pelas autoridades”, disse.

Após o furto eles estudam recolocar as inscrições em outro material para evitar que elas sejam novamente furtadas, mas lamentam a situação. “É muito triste, porque estamos sofrendo tanto com a partida dela. Quando contamos para a nossa oma, ela caiu em lágrimas e não se conformava. Até hoje, não se conforma. Logo que a mãe faleceu a gente fez, colocou as letras, como uma forma de homenagem. Ela sempre gostou de tudo muito arrumado, florido. E assim fizemos. O sentimento é de tristeza mesmo. Não conseguimos entender como alguns não tem compaixão com o próximo.

Não respeitam a dor das famílias. Quando postei na rede social, muitas pessoas relataram que os túmulos haviam sido violados”, conta.

O responsável pelo cemitério luterano, Ivanor Bratz, conta que foram cerca de 150 túmulos depredados e de acordo com depoimentos colhidos por eles mesmos, a suspeita é de que os criminosos foram ao local por pelo menos três vezes. Além de registrar um Boletim de Ocorrência a comunidade evangélica estuda a possibilidade de implantar um sistema de monitoramento. Outra medida já definida para tentar impedir furtos é o fechamento dos portões no período noturno. “É difícil porque é um local de visitação, que muitas pessoas vão. Mas agora decidimos que manteremos fechado das 18h até as 7h e também estamos estudando a instalação de câmeras”, afirma.

Este não é o primeiro caso parecido na cidade e na região. Diversos outros cemitérios do município já foram alvo de criminosos que além de furtar, muitas vezes acabam depredando os túmulos. “Já ouvimos em outros anos relatos de furtos assim, inclusive, do túmulo do meu sogro, lá no Cemitério municipal. Há alguns anos tentaram furtar e quebraram a foto dele”, lembra Luana.

Ivanor completa que o crime tem sido registrado com cada vez mais frequência pelo alto valor dos materiais levados. “É um metal de valor. É feita uma liga de cobre com bronze então volta e meia fazem a limpa nos cemitérios”, opina.

O que diz a Polícia Civil

Procurada pela reportagem o delegado de Ibirama, Leonardo Marcondes Machado, confirmou que a Polícia Civil já recebeu diversos boletins de ocorrência em furtos em cemitérios da cidade e que investiga o caso.