Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

A mãe do menino de 12 anos que teve diagnóstico positivo para coronavírus em Rio do Oeste disse, em um vídeo publicado em suas redes sociais, que não foi avisada pelas autoridades de saúde do estado de que o exame do filho havia confirmado a doença e que ficou sabendo da notícia após a divulgação do caso pela internet. Ela, o marido e outros membros da família estão em isolamento, mas também não foram testados.

A fiscal da Vigilância Sanitária, Alci Léia Padilha, afirmou que a família acompanhava diariamente as coletivas do governador de SC e só não acompanhou os dados  no domingo (10). Para sua surpresa foi justamente nesse dia que um caso de Covid-19 foi confirmado em Rio do Oeste. “O Governo do estado de Santa Catarina, antes de falar isso, não notificou nem a minha família. Soube depois de publicado no site oficial que tinha um caso positivo e como faço parte do serviço de saúde, e como era o único caso testado do município, lógico que eu ia entender que se tratava do meu filho”, conta.

Ela recebeu o resultado do teste apenas no dia seguinte após a divulgação quando o município foi então notificado. “Faltou, sim, comunicação do Governo do Estado, principalmente da Secretaria de Estado da Saúde que nem avisou a família do paciente antes de ser divulgado o caso na mídia. E isso é muito triste. Antes de ser fiscal eu sou mãe e tenho também sentimentos. É o meu filho que está correndo riscos e não é porque deixei de cumprir protocolos de saúde” ressalta.

A moradora de Rio do Oeste relata que sempre teve muito cuidado quando o assunto é a prevenção, principalmente porque é uma profissional da saúde e está na linha de frente da pandemia. O filho, que tem vários problemas de saúde apresentou inicialmente diarreia, mas não teve febre. Alguns dias depois começou a ter sintomas de congestão nasal e dor no corpo. “Na quarta ele começou a dizer que estava com muita dor no corpo. Na quinta vomitou duas vezes e meu marido começou a ter febre. Meu filho então passou a ter falta de ar, cansaço e já não conseguia mais andar de um lado para o outro sem ficar cansado, como ele tem outras comorbidades a gente não pensou em Covid, mas resolveu descartar essa possibilidade e fizemos o teste”, relata.

Além da família não ter sido avisada oficialmente antes da divulgação do caso, o que mostra uma fragilidade na comunicação, outro fato que chama a atenção é que os familiares que tiveram contato com a criança não foram testados para a doença. “A gente enquanto pessoa, não profissional da saúde, se sente até negligenciado. Estamos isolados numa casa recebendo um telefonema, mas ninguém mais chega perto da gente. Eu, meu marido, minha mãe e meu avô que somos as pessoas que estão em contato com ele não fomos testados e não seremos. Sabemos que o vírus é altamente contagioso, mas não estamos na estatística. Se eu quiser testar terei que pagar, que é o que vamos fazer amanhã. Isso mostra a fragilidade do sistema de saúde. Como montar estratégias sem dados reais? Podemos estar com mais da metade da população infectada e não saber”, disse.

Alerta sobre a prevenção

Alci Léia afirmou também que o vídeo com o desabafo é para alertar a população sobre o fato de o vírus ter chegado à cidade e da importância de todos terem atitudes para tentar diminuir a transmissão. “Infelizmente vejo que a gente não tem muito sucesso, principalmente se tratando do uso de máscara na rua, do acesso somente ao que é necessário”, comentou.