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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Um grupo de Rio do Sul tem chamado a atenção nas redes sociais e também pelo Centro da cidade ao pedir através de um abaixo-assinado o apoio da população para solicitar aos órgãos públicos a distribuição de medicamentos como azitromicina, ivermectina e hidroxicloroquina, já no primeiro atendimento de pacientes com suspeita de covid. A coleta iniciou no sábado e até o momento eles já reuniram cerca de 1.600 assinaturas.

Zilma Cunha, uma das organizadoras do movimento afirma que o marido de 55 anos era do grupo de risco porque já passou por quimioterapia, radiorapia e teve um acidente Vascular cerebral e acabou contraindo Covid. Ela diz que inicialmente como tratamento ele recebeu apenas remédios como dipirona para baixar a febre de 40 graus, mas o quadro piorou e ele precisou ser internado. “O meu marido se salvou porque sou enfermeira, eu colocava o oxímetro nele direto e percebi que o oxigênio estava em 87 e então fomos correndo ao hospital. Quando ele iria ser entubado entraram com hidroxicloroquina e azitromicina e poucas horas depois o oxigênio foi a 95 novamente”, relata.

O marido de Zilma ficou internado por seis dias e hoje está completamente curado. A partir da experiência própria ela resolveu lutar por outras pessoas para que todos possam receber esses medicamentos.

Ela diz que não tem nenhuma intenção política com o abaixo assinado e só quer salvar vidas, por isso o grupo foi até a prefeitura há cerca de três semanas e fez o pedido diretamente ao prefeito, mas a solicitação foi negada. “Somos um grupo de várias pessoas e soubemos que as pessoas estavam indo nas unidades de saúde e só era receitado dipirona e só se a situação se agravasse era para voltar para atendimento, mas acreditamos no tratamento precoce. Pedimos um segundo protocolo, uma oportunidade para a comunidade receber o protocolo precoce que é utilizado em várias cidades e estados e está funcionando”, explicou.

Depois das negativas, eles resolveram lançar o abaixo-assinado que pretende coletar assinaturas até a sexta-feira. Depois será entregue ao Ministério Público e outros órgão públicos. A ideia é coletar quase três mil assinaturas. “Vi o meu marido quase morrer e quero salvar vidas, evitar que outras pessoas passem o mesmo que passei”, finaliza.

Em março, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o uso da hidroxicloroquina em pacientes graves de covid-19, mas desde então tem declarado que estudos sobre a eficácia ainda estão em andamento e que as pesquisas conduzidas até o momento têm um número de pacientes muito reduzido e ainda é arriscado afirmar que o medicamento funciona para todas as pessoas. A agência tem demonstrado ainda que a cloroquina e a hidroxicloroquina são usadas para doenças autoimunes, como lúpus e malária. Já ivermectina e nitazoxanida servem para tratamentos de doenças parasitárias em seres humanos e que de acordo com a resolução de 23 de julho que está em vigor, não há flexibilização das regras para o uso desses remédios a não ser por prescrição médica.

O Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), informou que não se posiciona sobre o uso de medicamentos, mas no final de junho o órgão havia emitido uma nota oficial dizendo que defendia a autonomia do médico para uso do tratamento que entender ser o mais adequado para o paciente.

O que diz a prefeitura?

Em nota a Secretaria de Saúde de Rio do Sul informou que é legítima a manifestação da comunidade, expondo anseios e dúvidas relacionados à saúde pública municipal, mas entende que os critérios de pesquisas e entidades ligadas a ciência, infectologia e medicina ainda não são conclusivos quanto a eficácia de tais medicamentos solicitados.

Alegou que os medicamentos já são fornecidos pelo município através da Farmácia Básica da Secretaria de Saúde e assim como outros tipos de remédios, exigem receituário médico para sua retirada. A Secretaria declarou ainda que a receita do medicamento cabe ao profissional médico, guiado por uma análise criteriosa do paciente e suas características clínicas, grau dos sintomas, data da manifestação dos sintomas, histórico, comorbidades ou restrições médicas.

A nota diz que os atuais medicamentos oferecidos no tratamento para pacientes com a Covid-19 tem base em protocolos já existentes no Ministério da Saúde, autorizados pela Anvisa e que são aprovados para tratamentos adequados aos sintomas expostos pelo paciente.
O Executivo esclareceu ainda que existe uma preocupação muito grande com relação a comprovação de que estes medicamentos possam surtir o efeito clínico desejado nos pacientes com sintomas e até mesmo prevenção. Entretanto, há diversos estudos, notas técnicas e orientações de sociedades médicas e da Anvisa que refutam o uso deste tipo de remédio. Por não ser ainda conclusivo, o município prefere orientar os profissionais e as recomendações são de inteira responsabilidade dos mesmos.